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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Últimas palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus



Últimas palavras de nossa querida
Santa Teresinha do Menino Jesus
(relato de Irmã Inês de Jesus)

30 de setembro de 1897


Quinta-feira, dia de sua preciosa morte.


De manhã, eu a vigiei durante a Missa. Não me dizia uma palavra. Estava esgotada, ofegante; eu a adivinhava que seus sofrimentos eram inexprimíveis. Em dado momento, juntou as mãos e olhando a estátua da Santa Virgem:

Oh! Rezei a Ela com um fervor! Mas é agonia pura, sem nenhuma mistura de consolação.

Disse-lhe algumas palavras de compaixão e afeto; acrescentei que ela me havia edificado muito, durante essa doença.

E vocês, as consolações que me deram! Ah! são muito grandes!

Pode-se dizer, sem exagero, que ela passou o dia todo sem um instante de repouso, em verdadeiros tormentos. Parecia estar no limite de suas forças, e no entanto, para nossa grande surpresa, podia mexer-se e sentar-se na cama.

... Vejam, dizia ela, como tenho força hoje! Não, não vou morrer! Ainda vou viver durante meses e, quem sabe, anos!

E se o bom Deus assim o quisesse, disse nossa Mãe, você aceitaria?
Começou a responder, angustiada:
Assim deveria...

Mas, imediatamente se corrigindo, disse com uma entonação de sublime resignação, caindo sobre os travesseiros:

Aceito!

Pude recolher estas exclamações, mas é impossível reproduzir a entonação:

Não creio mais na morte para mim... Só acredito no sofrimento... Bem, tanto melhor!
Ó meu Deus!...
Eu O amo, o bom Deus!

Ó minha boa Santa Virgem, vinde em meu socorro!
Se isto é agonia, o que é, então, a morte?!...
Ah! meu bom Deus!... Sim, Ele é muito bom, eu O acho muito bom...

Olhando para a Santa Virgem:

Oh! Sabeis que estou sufocada!

Para mim:

Se você soubesse o que é ficar sufocada!

O bom Deus vai ajudá-la, minha pobrezinha, e isto vai acabar logo.

Sim, mas quando?
... Meu Deus, tende piedade de vossa pobre filhinha! Tende piedade!

A nossa Mãe:

Ó minha Mãe, garanto-lhe que o cálice está cheio até a borda!...
... Mas o bom Deus não vai me abandonar, é claro...
... Ele nunca me abandonou.

... Sim, meu Deus, tudo o que quiserdes, mas tende piedade de mim!
... Meu Deus! meu Deus! Vós que sois tão bom!!!
... Oh! sim, Vós sois bom! eu sei...

Após as Vésperas, nossa Mãe colocou-lhe, sobre os joelhos, uma imagem de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Olhou-a um instante e disse, quando nossa Mãe lhe tinha assegurado que ela logo acariciaria a Santa Virgem como o Menino Jesus na imagem:

Ó minha Mãe, apresente-me logo à Santa Virgem, pois sou um nenê que não agüenta mais! Prepare-me para morrer bem.

Nossa Mãe respondeu-lhe que, tendo sempre compreendido e praticado a humildade, estava completamente preparada. Refletiu um instante e pronunciou humildemente estas palavras:

Sim, parece-me que procurei sempre só a verdade; sim, compreendi a humildade do coração...

Repetiu ainda:

Tudo o que escrevi sobre meus desejos de sofrimentos. Oh! é bem verdade, assim mesmo! ... e não me arrependo de ter-me entregado ao Amor.

Com insistência:

Oh! não, não me arrependo, ao contrário!

Um pouco mais tarde:

Jamais poderia acreditar que fosse possível sofrer tanto! Jamais! Jamais! só posso explicar iso pelos desejos ardentes que tive de salvar almas.

Por volta das 5 horas, eu estava sozinha perto dela. Seu rosto se transformou de repente e compreendi que essa era sua última agonia. Quando a Comunidade entrou na enfermaria, ela recebeu todas as irmãs com um doce sorriso. Segurava seu Crucifixo e olhava-o constantemente.

Durante mais de duas horas, um terrível estertor dilacerou-lhe o peito. Seu rosto estava congestionado, as mãos violáceas; tinha os pés gelados, e o corpo tremia. Enormes gotas de suor abundante se formavam em sua testa e escorriam sobre as faces. A falta de ar ia aumentando sempre e, às vezes, para respirar, ela soltava gritinhos involuntários.

Durante esse período tão angustiante para nós, ouvia-se pela janela - e eu sofria muito com isso - todo um gorjeio de pintarroxos e outros passarinhos, mas tão forte, tão próximo e tão demorado! Rezava ao bom Deus para fazê-los calar, porém esse concerto me apunhalava o coração e eu temia que cansasse nossa pobre Teresinha.

Num dado momento, parecia ter a boca de tal modo ressecada, que Irmã Genoveva, pensando em aliviá-la colocou-lhe sobre os lábios um pedacinho de gelo. Aceitou-o, dirigindo-lhe um sorriso que jamais esquecerei. Era como se fosse um supremo adeus.

Às 6 horas, quando soou o Angelus, olhou demoradamente a imagem da Santa Virgem. Enfim, às 7 horas e alguns minutos, depois que nossa Mãe havia dispensado a comunidade, ela suspirou:

Minha Mãe! Não é ainda a agonia?... Não vou morrer?...

É minha pobrezinha, é a agonia, mas talvez o bom Deus queira prolongá-la por mais algumas horas.
Com coragem, retomou:

Pois bem!... Vamos!... Vamos!...
Oh! não gostaria de sofrer por menos tempo...

E olhando o Crucifixo:

Oh! eu O amo!...
Meu Deus... eu Vos amo!...

... Repentinamente, após ter pronunciado estas palavras caiu docemente para trás, com a cabeça inclinada para a direita. Nossa Mãe mandou, bem rápido, tocar o sino da enfermaria, para chamar a Comunidade.

"Abram todas as portas", dizia ela, ao mesmo tempo. Estas palavras tinham algo de solene, e me fizeram pensar que, no Céu, o bom Deus as dizia também a Seus anjos.

As irmãs tiveram tempo para se ajoelhar em volta da cama e testemunharam o êxtase da santinha moribunda. Seu rosto havia recuperado a tez de lírio que tinha quando gozava plena saúde; seus olhos, brilhantes de paz e alegria, estavam fixos no alto. Fazia alguns lindos movimentos com a cabeça, como se Alguém a tivesse, divinamente, ferido com uma flecha de amor, e em seguida a tivesse retirado para feri-la mais uma vez...

Ir. Maria da Eucaristia aproximou-se com um castiçal, para ver mais de perto seu olhar sublime. À luz desse castiçal, não apareceu nenhum movimento de suas pálpebras. Este êxtase durou aproximadamente o tempo de um Credo, e ela deu o último suspiro.

Após sua morte, conservou um sorriso celeste. Sua beleza era encantadora. Segurava seu Crucifixo com tanta força, que foi preciso arrancá-lo de suas mãos, para sepultá-la. Ir. Maria do Sagrado Coração e eu nos encarregamos desse serviço, juntamente com Ir. Aimée de Jesus; observamos então, que ela não parecia ter mais de 12 ou 13 anos.

Seus membros permaneceram flexíveis até o sepultamento, segunda-feira, 4 de outubro de 1897.


Irmã Inês de Jesus


(Relato retirado do livro: Obras completas de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face)

Fonte: A Grande Guerra

Comentário do Evangelho do dia (29/09) por Simeão, o Novo Teólogo

(c. 949-1022), monge grego 
Hino 2


«Os anjos nos céus veem constantemente a face de meu Pai» (Mt 18,10)


Eu Te dou graças, porque me concedeste a vida, 
e conhecer-Te e adorar-Te, meu Deus. 
Porque «a vida, é conhecer-te, a Ti, único Deus verdadeiro» (Jo 17,3), 
Criador e Autor de tudo, 
não gerado, não criado, sem princípio, único, 
e teu Filho, gerado de Ti, 
e o Espírito santíssimo, procedente de Ti, 
a trina unidade digna de todo o louvor. [...] 

O que há nos anjos, nos arcanjos, 
nas dominações, nos querubins e nos serafins 
e em todos os outros exércitos celestes, 
como glória ou como luz de imortalidade, 
que alegria, que esplendor de vida imaterial, 
senão a única luz da Santíssima Trindade? [...] 

Pensa num ser incorporal ou corpóreo, 
e encontrarás que foi Deus que tudo fez. 
Se te falam de um ser qualquer, os do céu, 
os da terra ou os dos abismos, 
para esses também, para todos, 
não há senão uma única vida, uma glória, 
um desejo e um reino 
uma única riqueza, alegria, coroa, vitória, paz, 
ou qualquer outro brilho; e consiste nisto: 
no conhecimento do Princípio e da Causa 
de onde tudo veio, onde tudo teve a sua origem. 
Aí está quem mantém as coisas nas alturas e as coisas daqui de baixo, 
Aí está quem põe ordem em todos os seres espirituais, 
Aí está quem reina sobre todos os seres visíveis. [...] 

Eles cresceram em conhecimento e redobraram o temor 
ao verem Satanás cair 
e os seus companheiros arrebatados pela presunção. 
Os que caíram esqueceram tudo isso, 
escravos do seu orgulho; 
enquanto todos os que conservaram o conhecimento, 
elevados pelo temor e pelo amor, 
se uniram ao seu Senhor. 
Assim, o reconhecimento do senhorio 
produziu também o crescimento do seu amor 
porque viram melhor e mais claramente 
o brilho fulgurante da Trindade.

Fonte: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (28/09) por Beato John Henry Newman



(1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra 
«Meditações e Devoções», 3.ª parte, 2, 2


«Seguir-Te-ei»

Jesus começou por renunciar a Maria e a José, bem como aos seus amigos secretos de cuja simpatia gozava; mas, quando chegou o tempo, teve de renunciar a ela. [...] Permaneçamos uns instantes ao pé de Maria, antes de seguirmos a marcha de seu Filho, Nosso Senhor. Aconteceu Jesus recusar a um que queria segui-Lo autorização para se afastar dos seus. E contudo, esse foi, aparentemente, o seu comportamento com sua Mãe. [...] 

Ó Maria, pensamos na tua [...] dor de Mãe; pois não terá a dor causada pela partida de teu Filho sido uma das maiores? [...] Como foi que suportaste essa primeira separação, que passaste os primeiros dias longe dele? [...] Como conseguiste viver aqueles três longos anos do seu ministério? Certa vez, a princípio, tentaste aproximar-te (Mc 3,31); mas depois, nunca mais ouvimos falar de ti, até voltarmos a encontrar-te de pé ao lado da sua cruz.


Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (27/09) por São Bernardo



(1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
Sermões «De diversis», n.º 1



«Tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém»


Irmãos, é bem certo que já vos pusestes a caminhar para a cidade onde habitareis; não avançais por entre os bosques, mas pela estrada. Mas receio que esta via vos pareça longa e vos traga menos consolações do que tristeza. Sim, receio que alguns, ao pensamento de que lhes resta ainda uma longa estrada a percorrer, se sintam conquistados por alguma falta de coragem espiritual, que percam a esperança de conseguir suportar tantas dores e durante tanto tempo. Como se as consolações de Deus não enchessem a alma dos eleitos de uma alegria muito superior à multidão das dores contidas no seu coração. 

É certo que, atualmente, estas consolações ainda não lhes são dadas senão à medida das suas penas; uma vez, porém, atingida a felicidade, não serão já consolações, mas delícias sem fim que encontraremos à direita de Deus (Sl 15,11). Desejemos esta direita, irmãos, que abarca todo o nosso ser. Ansiemos ardentemente por esta felicidade, para que o tempo presente nos pareça breve (como de facto é) em comparação com a grandeza do amor de Deus: «os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rom 8,18). Promessa feliz, por cujo cumprimento devemos esperar com todo o nosso coração! 

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (26/09) por São João Cassiano



(c. 360-435), fundador de mosteiro em Marselha 
Conferências, n.° 15, 6-7


«Vinde e aprendei de Mim» (Mt 11,28-29)


Os grandes da fé não tiravam partido algum do poder que detinham de operar maravilhas, confessavam que não tinham qualquer mérito nisso e que quem fazia tudo era a misericórdia do Senhor. Se alguém admirava os seus milagres, rejeitavam a glória humana com palavras recolhidas dos apóstolos: «Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque nos olhais, como se tivéssemos feito andar este homem por nosso próprio poder ou piedade?» (At 3,12) No seu entender, ninguém devia ser louvado pelos dons e as maravilhas de Deus. [...] 

Mas por vezes acontece que homens inclinados ao mal, condenáveis em matéria de fé, expulsam demónios e operam prodígios em nome do Senhor. Foi disso que os apóstolos se queixaram um dia: «Mestre, vimos um homem expulsar os demónios em teu nome e quisemos impedi-lo, porque ele não anda connosco.» Ao que Cristo lhes respondeu: «Não lho proibais, pois quem não é contra vós é por vós.» Mas quando, no fim dos tempos, Lhe disserem: «Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que fizemos muitos milagres?», Jesus afirma que responderá: «Nunca vos conheci; afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade» (Mt 7,22s). 

E àqueles a quem Ele próprio concedeu a graça gloriosa dos sinais e dos milagres, o Senhor avisa que não se ensoberbeçam com isso: «Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por os vossos nomes estarem escritos no Céu» (Lc 10,20). O Autor de todos os sinais e milagres chama os seus discípulos a guardar a sua doutrina: «Vinde», diz-lhes, «e aprendei de Mim», não a expulsar demónios pelo poder do Céu, nem a curar os leprosos, nem a dar luz aos cegos, nem a ressuscitar os mortos, mas, diz Ele: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29).

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (25/09) por São João Crisóstomo



(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homílias sobre o Evangelho de Mateus, n.º 50, 3-4


Reconhecer Cristo no pobre


Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não O desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres no templo com vestes de seda, enquanto O abandonas lá fora ao frio e à nudez. Aquele que disse: «Isto é o meu Corpo» (Mt 26,26), e o realizou ao dizê-lo, é o mesmo que disse: «Porque tive fome e não Me destes de comer» (cf Mt 25,35); e também: «Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer» (Mt 25,42.45). Aqui, o Corpo de Cristo não necessita de vestes, mas de almas puras; além, necessita de muitos desvelos. [...] Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam de ouro. 

Não vos digo isto para vos impedir de fazer doações religiosas, mas defendo que simultaneamente, e mesmo antes, se deve dar esmola. [...] Que proveito resulta de a mesa de Cristo estar coberta de taças de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Sacia primeiro o faminto, e depois adornarás o seu altar com o que sobrar. Fazes um cálice de ouro e não dás «um copo de água fresca» (Mt 10,42)? [...] Pensa que se trata de Cristo, que é Ele que parte errante, estrangeiro, sem abrigo; e tu, que não O acolheste, ornamentas a calçada, as paredes e os capitéis das colunas, prendes com correntes de prata as lamparinas, e a Ele, que está preso com grilhões no cárcere, nem sequer vais visitá-Lo? [...] Não te digo isto para te impedir de tal generosidade, mas exorto-te a que a acompanhes ou a faças preceder de outros atos de beneficência. [...] Por conseguinte, enquanto adornas a casa do Senhor, não deixes o teu irmão na miséria, pois ele é um templo e de todos o mais precioso.


Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (24/09) por Santo Tomás de Aquino



1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja 
Comentário sobre a Epístola aos Gálatas, 6


O nosso título de glória é o Filho do Homem entregue nas mãos dos homens


«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo», diz São Paulo (Gal 6,14). Repara, observa Santo Agostinho: onde o sábio segundo este mundo julgou encontrar a vergonha, aí descobriu o apóstolo Paulo um tesouro; pois aquilo que para outro é loucura é para ele sabedoria (1Cor 1,17s) e título de glória. 

Com efeito, cada um retira a sua glória daquilo que, a seus olhos, o torna grande; se julga ser um homem importante por ser rico, glorifica-se nos seus bens. Mas aquele que não encontra grandeza para si senão em Jesus Cristo põe a sua glória apenas em Jesus; assim era o apóstolo Paulo, que dizia: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»(Gal 2,20). É por isso que apenas se gloria em Cristo, e sobretudo na cruz de Cristo. É que nesta cruz estão reunidos todos os motivos de glória que um homem pode ter. 

Há pessoas que retiram a sua glória da amizade com os grandes e poderosos; Paulo, porém, apenas tem necessidade da cruz de Cristo, onde descobre o sinal mais evidente da amizade de Deus: «Deus demonstra o seu amor para connosco pelo facto de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores» (Rom 5,8). Não, nada manifesta tão bem o amor de Deus para connosco como a morte de Cristo. «Oh, testemunho inestimável do amor!», exclama São Gregório. «Para resgatar o escravo, entregastes o Filho!»

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (23/09) por Beato Paulo VI



1897-1978), papa de 1963 a 1978 
Homilia em Manila, 29/11/70 (© Libreria Editrice Vaticana)


«E vós, quem dizeis que Eu sou?»


Cristo! Sinto a necessidade de O anunciar, não posso calá-Lo: «Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!» (1Cor 9,16) Fui enviado por Ele para isso mesmo; sou apóstolo, sou testemunha. Quanto mais longe está o objetivo e mais difícil é a missão, mais premente é o amor que me impele (2Cor 5,14). Tenho de proclamar o seu nome: Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). É Ele que nos revela o Deus invisível; Ele é o primogénito de toda a criatura, o fundamento de todas as coisas (Col 1,15s). Ele é o Mestre da humanidade e o Redentor: nasceu, morreu e ressuscitou por nós. Ele é o centro da história e do mundo, é quem nos conhece e nos ama, é o companheiro e o amigo da nossa vida. É o homem da dor e da esperança. É o que há de vir, que será um dia nosso juiz e também, assim o esperamos, a plenitude eterna da nossa existência, a nossa felicidade. 

Nunca mais acabaria de falar dele: Ele é a luz e a verdade; mais, Ele é «o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6). Ele é o Pão e a Fonte de água viva que responde à nossa fome e à nossa sede (Jo 6,35; 7,38); Ele é o nosso Pastor, o nosso guia, o nosso exemplo, o nosso conforto, o nosso irmão. Como nós, e mais do que nós, foi pequeno, pobre, humilhado, trabalhador, infeliz e paciente. Por nós, falou, realizou milagres, fundou um Reino novo onde os pobres são bem-aventurados, onde a paz é o princípio da vida em comum, onde os que têm o coração puro e os que choram são exaltados e consolados, onde os que aspiram à justiça são atendidos, onde os pecadores podem ser perdoados, onde todos são irmãos. 

Jesus Cristo: já ouvistes falar dele, e a maioria de vós pertence-Lhe, pois sois cristãos. Pois bem! A vós, cristãos, repito o seu nome, a todos anuncio: Jesus Cristo é «o princípio e o fim, o alfa e o ómega» (Ap 21,6). Ele é o Rei do mundo novo; é o segredo da história, a chave do nosso destino; ele é o Mediador, a ponte entre a Terra e o Céu [...]; é o Filho do homem, o Filho de Deus [...], o Filho de Maria... Jesus Cristo! Recordai: este é o anúncio que fazemos para a eternidade, é a voz que fazemos ressoar por toda a terra (Rom 10,18) e pelos séculos que hão de vir.


Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (22/09) feito por Orígenes

(c. 185-253), presbítero, teólogo 
Homilias sobre o Génesis

E procurava ver Jesus.

O sol e a lua iluminam o nosso corpo; Cristo e a Igreja iluminam o nosso espírito. Isto é, iluminam-nos se não formos espiritualmente cegos. Porque, do mesmo modo que o sol e a lua não deixam de derramar a sua claridade sobre os cegos, que, contudo, não podem acolher a luz, também Cristo envia a sua luz aos nossos espíritos, mas esta iluminação só tem lugar se a nossa cegueira não lhe puser obstáculos. Por isso, os cegos devem começar por seguir a Cristo gritando: «Tem piedade de nós, Filho de David!» (Mt 9,27); e, quando tiverem recuperado a vista graças a Ele, poderão ser iluminados com o esplendor da luz. 

Mas nem todos os que veem são iluminados de igual forma por Cristo; cada um o é na medida em que pode receber a luz (cf Lc 23,8 ss). [...] Não é da mesma maneira que todos vamos a Ele, mas «cada um segundo as suas próprias possibilidades» (Mt 25,15).

Fonte: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Santa Zélia Martin: exemplo de maternidade para o Céu



Mais do que um exemplo de vida cristã, Luís e Zélia são para suas filhas imagens vivas de Deus. Teresinha irá tão mais facilmente ao Pai pelo fato de ter feito a experiência de uma paternidade humana cheia de bondade e ternura. O papel de Zélia não é menos importante. Por duas vezes em seus escritos, a fim de dar a entender a misericórdia e o espírito de infância a seus leitores, Teresinha lhes dá a imagem de um faltoso que, em vez de se esconder, por medo de represálias, se lança nos braços de seu pai, onde lhe é acolhido como o filho pródigo. Um relato de Zélia nos mostra a origem dessa representação. Teresinha finge estar dormindo; sua mãe fica muito descontente por ver a filha mentir, e não lhe esconde isso. "Dois minutos depois, pude ouvi-la chorar e eis que logo, para minha grande surpresa, ela se pôs a meu lado, tendo saído sozinha de sua caminha e descido as escadas com os pés descalços, envolvida em sua camisola, maior que ela. Seu rostinho estava coberto de lágrimas: 'Mamãe', disse-me ela abraçando meus joelhos, 'fui má, perdoe-me!'. O perdão foi instantâneo. Carreguei então meu pequeno querubim no colo, pressionando-a forte contra meu coração e cobrindo-a de beijos. Ao ver-se tão bem recebida, ela me disse: 'Oh! Mamãe, se você me cobrisse como quando eu era pequena, eu comeria meu chocolate aqui à mesa!'. Dei-me ao trabalho de buscar sua coberta e a cobri como quando ela era pequena. Eu dava a impressão de estar brincando de boneca". Teresinha agirá exatamente da mesma maneira com Deus, por quem não será menos bem recebida. Assim, Luís e Zélia abriram uma estrada real pela qual Teresinha vai correr.


Retirado do livro Luís e Zélia Martin - Os Bem-Aventurados pais de Santa Teresinha, de Hèlene Mongin.

Comentário do Evangelho do dia (21/09) por Santo Ireneu de Lyon



(c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir 
Contra as heresias, III, 11,8; 9,1


Uma das primeiras afirmações históricas dos evangelistas


Os apóstolos foram até ao fim do mundo proclamar a Boa Nova das graças que Deus nos concede e anunciar aos homens a paz do céu (Lc 2,14), eles que possuíam – todos igualmente e cada um em particular – a Boa Nova de Deus. Encontrando-se entre hebreus, Mateus publicou uma das versões escritas do Evangelho nessa língua, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam Roma e aí fundavam a Igreja. Depois da morte destes, Marcos, discípulo e intérprete de Pedro (1Ped 5,13), transmitiu-nos por escrito a pregação de Pedro. Da mesma forma, Lucas, companheiro de Paulo, consignou em livro o Evangelho por este pregado. Seguidamente João, discípulo do Senhor, o mesmo que apoiou a cabeça sobre o seu peito (Jo 13,25), publicou também o Evangelho durante a sua permanência em Éfeso. 

No seu evangelho, Mateus regista a genealogia de Cristo como homem: «genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão» (Mt 1,1-18). Este evangelho apresenta Cristo na sua forma humana; nele, Cristo é um homem permanentemente animado de sentimentos de humildade e de mansidão. [...] O apóstolo Mateus conhece um único Deus, o mesmo que prometeu a Abraão multiplicar a sua descendência como as estrelas do céu (Gn 15,5) e que, por seu Filho Cristo Jesus, nos chamou do culto das pedras até ao seu conhecimento (Mt 3,9), de forma que [se cumprisse a Escritura que diz]: «Àquele que não é meu povo hei de chamar meu povo, e minha amada àquela que não é minha amada» (Os 2,25; Rom 9,25).


Fonte: Evangelho Quotidiano

Nosso Senhor a Santa Gema Galgani: se te conservo unida à Cruz, é porque te amo...



Minha filha - dizia-lhe o Senhor -, queixas-te porque te deixo nessas trevas; mas lembra-te que depois das trevas vem a luz e então gozarás de uma grande claridade.

Faço-te sofrer esta provação para minha maior glória, para alegria dos anjos, para teu próprio proveito, e também para exemplo dos outros.

Se Me amas verdadeiramente, dever amar-Me até nas trevas. Apraz-Me brincar assim com as almas que Me são mais caras.

Não te aflijas se pareço abandonar-te; não julgues que é um castigo, mas uma arte para desprender-te de todas as criaturas e unir-te a Mim.

Quando pensares que eu te repilo, será quando te estreitarei mais intensamente a Mim; e quando Me julgares mais longe, será quando estarei mais perto de Ti. Coragem! Pois que ao combate sucede a paz. Conserva-te fiel e amante; tem paciência, se te deixo ainda só; sofre resignada e contente.

Conduzo-te por caminhos ásperos e dolorosos; mas deves considerar-te honrada se Eu assim te trato, permitindo que, com um martírio interior quotidiano, tua alma seja provada e purificada. Pensa só neste tempo em te exercitares em grandes virtudes, corre pela estrada da vontade Divina, humilha-te, e fica certa de que, se te conservo unida à Cruz, é porque te amo.

Não faças como certas almas que se apegam às consolações e gostos espirituais, mas não estimam a cruz; quando se acham na aridez do espírito, diminuem pouco a pouco as orações, porque não acham mais as doçuras que antes tinham sentido.


Retirado do livro Santa Gema, de Padre Germano de Santo Estanislau, C.P.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (20/09) por Santo Ireneu de Lyon



(c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir 
Contra as heresias, III, 22


Somos seus irmãos porque sua Mãe ouviu a palavra e a pôs em prática


A Virgem Maria foi obediente quando disse: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38). Pelo contrário, Eva foi desobediente, tendo desobedecido quando era ainda virgem. E assim como Eva, desobedecendo, se tornou causa de morte para si mesma e para todo o género humano, assim também Maria, tendo por esposo aquele que lhe tinha sido antecipadamente destinado mas mantendo-se virgem, se tornou, pela sua obediência, causa de salvação para si mesma e para todo o género humano. […] Porque o que foi ligado só pode ser desligado quando se faz em sentido inverso o processo que tinha dado origem ao nó, de tal maneira que o primeiro laço é desatado por um segundo, tendo o segundo a função de desatar o primeiro. 

Era por isso que o Senhor dizia que os primeiros seriam os últimos, e os últimos os primeiros (Mt 19,30). E também o profeta afirma a mesma coisa, ao dizer: «Em lugar dos teus pais, virão os teus filhos» (Sl 44,17). Porque, ao tornar-Se «o Primogénito dos mortos», ao receber no seu seio os pais antigos, o Senhor fê-los renascer para a vida em Deus, tornando-Se Ele mesmo «o princípio» (Col 1,18), já que Adão fora o princípio dos mortos. É também por isso que Lucas começa a sua genealogia pelo Senhor, fazendo-a depois remontar até Adão (Lc 3,23ss.), indicando assim que não foram os pais que deram a vida ao Senhor, mas foi Ele, pelo contrário, que os fez renascer no Evangelho da vida. Da mesma maneira, o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria, porque aquilo que a virgem Eva tinha atado pela sua incredulidade foi desatado pela Virgem Maria pela sua fé.

Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Imitação de Cristo III - Cap. 28 - Contra as línguas maldizentes



JESUS: Filho, não te aflijas se alguém fizer de ti mau conceito ou disser coisas que não gostas de ouvir. Pior ainda deves julgar de ti mesmo, e avaliar-te o mais imperfeito de todos. Se praticares a vida interior, pouco te importarás de palavras que voam. É grande prudência calar-se nas horas da tribulação, volver-se interiormente a mim, e não se perturbar com os juízos humanos.

Não faças depender tua paz da boca dos homens; porque, quer julguem bem, quer mal de ti, não serás por isso homem diferente. Onde está a verdadeira paz e a glória verdadeira? Porventura não está em mim? Quem não procura agradar aos homens, nem teme desagradar-lhes, esse gozará grande paz. É do amor desordenado e do vão temor que nascem o desassossego do coração e a distração dos sentidos.

Imitação de Cristo, Tomás de Kempis
Fonte: http://imitacaodecristo.50webs.com/

Comentário do Evangelho do dia (19/09) por São Cromácio de Aquileia



(?-407), bispo 
Homilias sobre o Evangelho de Mateus


A lâmpada no candelabro

O Senhor chama aos seus discípulos «luz do mundo» (Mt 5,4) porque, iluminados por Ele, que é a luz eterna e verdadeira (Jo 1,9), eles próprios se tornam uma luz no meio das trevas. Porque Ele é o «Sol da justiça» (Mal 3,20), o Senhor pode chamar aos seus discípulos «luz do mundo»: é por meio deles que irradia sobre o mundo inteiro a luz da sua própria ciência. [...] Iluminados por eles, também nós passámos das trevas à luz, como diz o Apóstolo: «Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; vivei como filhos da luz» (Ef 3,8). E noutro passo: «Não sois filhos da noite nem das trevas, mas sois filhos da luz e filhos do dia» (1Tess 5,5). Com razão diz também S. João na sua primeira epístola: «Deus é luz» (1,5); e «quem permanece em Deus está na luz» (1,7). [...] Portanto, uma vez que temos a felicidade de estar libertos das trevas do erro, devemos andar sempre na luz, como filhos da luz que somos. [...] Por isso diz o Apóstolo: «Vós brilhais entre eles como estrelas no mundo, ostentando a palavra da vida» (Tess 2,15). [...] 

Aquela lâmpada resplandecente, que foi acendida para nossa salvação, deve brilhar sempre em nós. [...] Por isso, é nosso dever não ocultar esta lâmpada da lei e da fé, mas colocá-la sempre no candelabro da Igreja para salvação de todos, a fim de nós próprios gozarmos da luz da sua verdade, e de com ela serem iluminados todos os crentes.


Fonte: Evangelho Quotidiano

domingo, 18 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (18/09) por São Gregório de Nazianzo



(330-390), bispo, doutor da Igreja 
Homilia sobre o amor aos pobres



«Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas»: socorrer os pobres

Meus amigos e meus irmãos, não sejamos maus gestores dos bens que nos foram confiados para não ouvirmos dizer: «Envergonhai-vos, vós que guardais o que não vos pertence; imitai a justiça de Deus e não haverá mais pobres.» Não nos esgotemos a juntar e a pôr de reserva enquanto outros estão esgotados de fome; só assim não mereceremos a acusação amarga e a ameaça do profeta Amós: «Cuidado, vós que dizeis: "Quando acabará este mês para podermos vender o nosso trigo? Quando acabará o sábado para podermos vender a nossa farinha?"» (8,5). [...] 

Imitemos a lei sublime e primordial de Deus «que faz cair a chuva sobre justos e pecadores e também para todos faz nascer o sol» (Mt 5,45). Ele cumula todos os que vivem na Terra de imensas extensões de pastos, de nascentes, de rios e de florestas; aos pássaros dá os ares e a água a todos os animais aquáticos. 

Para a vida de todos, dá em abundância os recursos naturais, que não podem ser nem agarrados pelos fortes, medidos pelas leis ou delimitados pelas fronteiras; mas dá-os a todos, de modo que nada falte a ninguém. Assim, pela partilha igual dos seus dons, Ele honra a igualdade natural de todos e mostra toda a generosidade da sua bondade. [...] Imita, pois, esta misericórdia divina.

Fonte: Evangelho Quotidiano

sábado, 17 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (17/09) por São Boaventura



(1221-1274), franciscano, doutor da Igreja 
Breviloquium, Prólogo, 2-5



«A semente é a palavra de Deus»

A origem da Escritura não se situa na investigação humana, mas na Revelação divina que provém do «Pai das Luzes», «a quem toda a paternidade no céu e na terra vai buscar o nome» (Tim 1,17; Ef 3,15). Dele, por seu Filho Jesus Cristo, se derrama em nós o Espírito Santo. Pelo Espírito Santo, que distribui os seus dons a cada um de nós segundo a sua vontade (Heb 2,4), é-nos dada a fé e «pela fé, Cristo habita nos nossos corações» (Ef 3,17). Deste conhecimento de Jesus Cristo deriva, como de uma fonte, a solidez e a inteligência de toda a Sagrada Escritura. É, pois, impossível entrar no conhecimento de Escritura sem possuir em primeiro lugar a fé infusa em Jesus Cristo, que é a luz, a porta e o alicerce de toda a Escritura. [...] 

O resultado ou o fruto da Sagrada Escritura [...] é a plenitude da felicidade eterna. Porque a Escritura encerra «palavras de vida eterna» (Jo 6,68); portanto, ela não foi escrita só para que acreditemos, mas também para que possuamos a vida eterna na qual veremos e amaremos, e onde os nossos desejos serão inteiramente satisfeitos. Então, com os desejos satisfeitos, conheceremos verdadeiramente «o amor que ultrapassa todo o conhecimento» e assim ficaremos «cheios da plenitude de Deus» (Ef 3,19). É nesta plenitude que a divina Escritura se esforça por nos introduzir; é em vista deste fim, é com esta intenção que a Sagrada Escritura deve ser estudada, ensinada e entendida.


Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (16/09) por Bento XVI



Papa de 2005 a 2013 
Audiência geral de 14/2/07


«Acompanhavam-No os Doze, bem como algumas mulheres»


Sabemos que, de entre os seus discípulos, Jesus escolheu doze homens como pais do novo Israel, e escolheu-os para «estarem com Ele e para os enviar a pregar» (Mc 3,14). Este facto é evidente mas, além dos Doze, colunas da Igreja, pais do novo Povo de Deus, também há muitas mulheres que são incluídas no número dos discípulos. Posso apenas mencionar brevemente aquelas que se encontram no caminho do próprio Jesus, a começar pela profetisa Ana (Lc 2,36-38), até à Samaritana (Jo 4,1-39), à mulher sírio-fenícia (Mc 7,24-30), à hemorroíssa (Mt 9,20-22) e à pecadora perdoada (Lc 7,36-50). Não me referirei sequer às protagonistas de algumas eficazes parábolas, por exemplo a uma dona de casa que amassa o pão (Mt 13,33), à mulher que perde a dracma (Lc 15,8-10), à viúva que importuna o juiz (Lc 18,1-8). Mais significativas nesta nossa reflexão são aquelas mulheres que desenvolveram um papel ativo no contexto da missão de Jesus. 

Em primeiro lugar, pensamos naturalmente na Virgem Maria que, com a sua fé e a sua obra maternal, colaborou de modo único na nossa Redenção, de tal forma que Isabel a proclamou «bendita [...] entre as mulheres» (Lc 1,42), acrescentando: «Feliz de ti que acreditaste» (Lc 1,45). Tornando-se discípula de seu Filho, Maria manifestou em Caná total confiança nele (Jo 2,5) e seguiu-O até à Cruz, onde recebeu dele uma missão maternal para com todos os seus discípulos de todos os tempos, representados por João (Jo 19,25-27). 

Surgem depois várias mulheres que, a diversos títulos, gravitaram em torno da figura de Jesus, com funções de responsabilidade. São exemplo eloquente disso as mulheres que seguiam Jesus para O assistir com os seus bens e das quais Lucas nos transmite alguns nomes: Maria de Magdala, Joana, Susana e «muitas outras» (Lc 8,2-3). Depois, os Evangelhos informam-nos de que as mulheres, diversamente dos Doze, não abandonaram Jesus na hora da Paixão (Mt 27,56.61; Mc 15,40). Entre elas destaca-se, em particular, Madalena, que presenciou a Paixão, mas que foi também a primeira testemunha do Ressuscitado e quem O anunciou (Jo 20,1.11-18). É precisamente para Maria de Magdala que S. Tomás de Aquino reserva a singular qualificação de «apóstola dos apóstolos», dedicando-lhe este bonito comentário: «Assim como uma mulher tinha anunciado ao primeiro homem palavras de morte, assim também foi uma mulher a primeira a anunciar aos apóstolos palavras de vida».

Fonte: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Stabat Mater - Latim e Português



Stabat Mater dolorosa juxta crucem lacrymosa Estava a Mãe dolorosa, junto à cruz, lacrimosa,

Dum pendebat Filius. Da qual pendia o Filho.

Cujus animam gementem, contristatam et dolentem A espada atravessava

Pertransivit gladius Sua alma agoniada, entristecida e dolorida.

O quam tristis et afflicta fuit illa benedicta, Quão triste e aflita estava ali a bendita,

Mater Unigeniti! Mãe do Unigênito!

Quae moerebat et dolebat et tremebat cum videbat Quão abatida, sofrida e trêmula via

Nati poenas inclyti. O sofrimento do Filho divino.

Quis est homo, qui non fleret, Qual é o vivente que não chora,

Matrem Christi si videret in tanto supplicio? Vendo a Mãe do Cristo em tamanho suplício?

Quis non posset contristari, Quem não ficaria triste,

Christi Matrem contemplari dolentem cum Filio? Contemplando a mãe aflita, padecendo com seu Filho?

Pro peccatis suae gentis vidit Jesum in tormentis Por culpa de sua gente, ela viu Jesus torturado,

Et flagellis subditum. Submetido a flagelos.

Vidit suum dulcem natum moriendo desolatum,Viu o Filho muito amado, morrendo abandonado,

Dum emisit spiritum. Entregando o seu espírito.

Eja Mater, fons amoris, me sentire vim Doloris Mãe, fonte de amor, que eu sinta a força da dor

Fac, ut tecum lugeam. Para poder contigo pranteá-lo.

Fac,ut ardeat cor meum in amando Christum Deum, Faz arder meu coração devido à partida do Cristo Deus,

Ut sibi complaceam. Para que o possa agradar.

Sancta Mater, istud agas, crucifix fige plagas Santa Mãe, dá-me isto: trazer as chagas do Cristo

Cordi meo valide. Cravadas no coração.

Tui Nati vulnerati, tam dignati pro me pati, Com teu Filho, que por mim morre assim,

Poenas mecum divide. Quero o sofrimento partilhar.

Fac me tecum pie flere crucifixo condolere, Dá-me contigo chorar pelo crucificado

Donec ego vixero. Enquanto vida eu tiver.

Juxta crucem tecum stare et me tibi sociare, Junto à cruz quero estar e me juntar

In planctu desidero. Ao teu pranto de saudade.

Virgo virginum praeclara, mihi jam non sis amara:Virgem das virgens radiante, não te amargures:

Fac me tecum plangere. Dá-me contigo chorar.

Fac, ut portem Christi mortem, Que a morte de Cristo permita,

Passionis fac consortemQue de sua paixão eu partilhe,

Et plagas recolere. E que suas chagas possa venerar.

Fac me plagis vulnerari cruce hac inebriari Que pelas chagas eu seja atingido e pela Cruz inebriado

Ob amorem Filii. Pelo amor do Filho.

Inflammatus et ascensus per te Virgo sim defensus Animado e elevado por ti Virgem, eu seja defendido

In die Judicii No dia do juízo.

Amém.

Poema atribuído a Frei Jacopone de Todi, no século XIII
Créditos: Blog Salvem a Liturgia

Maria foi a Rainha dos Mártires - Santo Afonso Maria de Ligório



Quem poderia ouvir sem comoção a história mais triste que jamais houve no mundo? Uma nobre e Santa Senhora tinha um único Filho, o mais amável que se possa imaginar. Era inocente, virtuoso e belo. Ternamente retribuía o amor de Sua Mãe. Nunca Lhe havia dado o mínimo desgosto, mas sempre Lhe havia testemunhado todo respeito, toda obediência, todo afeto. Nele, por isso, a Mãe tinha posto todo o Seu amor, aqui na terra. Ora, que aconteceu? Pelo inveja de Seus inimigos, foi esse Filho acusado injustamente. O juiz reconheceu, é verdade, a inocência do acusado e proclamou-a publicamente. Mas, para não desgostar os acusadores, condenou-O a uma morte infame, como lhe haviam pedido. E a pobre Mãe, para Sua maior pena, teve de ver como Aquele tão amante e amado Filho Lhe era barbaramente arrancado, na flor dos anos. Fizeram-nO morrer diante de Seus olhos maternos, à força de torturas e esvaído em sangue num patíbulo infamante. Que dizeis, piedoso leitor? Não vos excita à compaixão a história dessa aflita Mãe?

Já sabeis de quem estou falando? Esse filho, tão cruelmente suplicado, foi Jesus, nosso amoroso Redentor. E essa Mãe foi a bem-aventurada Virgem Maria, que por nosso amor Se resignou a vê-lO sacrificado à justiça Divina pela crueldade dos homens. Portanto é digna de nossa piedade e gratidão essa dor imensa que Maria sofre por nosso amor. Mais Lhe custou sofrê-la, do que suportar mil mortes. E se não podemos corresponder dignamente a tanto amor, demoremo-nos hoje, ao menos por algum tempo, na consideração de Sas acerbíssimas dores. Digo, por isso: Maria é Rainha dos mártires, porque as dores de Seu martírio excederam às dos mártires 1.º em duração; 2.º em intensidade.


Glórias de Maria, de Santo Afonso Maria de Ligório

Comentário ao Evangelho do dia (15/09) por São Romano, o Melodista


Comentário ao Evangelho do dia (15/09) por São Romano, o Melodista
(?-c. 560), compositor de hinos
Hino 25, Maria na cruz


«Uma espada trespassará a tua alma»

Ovelha contemplando o seu cordeiro levado ao matadouro (Is 53,7), consumida de dor, Maria segue com as outras mulheres, chorando: «Para onde vais, meu Filho? Por que percorres assim depressa o teu caminho? (Sl 18,6) Há outra boda em Caná, e é para lá que Te diriges tão depressa, para transformar a água em vinho? Posso acompanhar-Te, meu Filho, ou será melhor esperar por Ti? Diz-me uma palavra que seja, Tu que és o Verbo, não passes diante de mim em silêncio […], Tu, que és o meu Filho e o meu Deus. […]

»Encaminhas-Te para uma morte injusta e ninguém partilha o teu sofrimento. Não Te acompanha Pedro, que dizia: "Mesmo que tenha de morrer contigo, não Te negarei" (Mt 26,35). Abandonou-Te Tomé, que exclamara: "Vamos nós também, para morrermos com Ele" (Jo 11,16). E os outros, os íntimos, aqueles que hão de julgar as doze tribos (Mt 19,28), onde estão eles? Não está cá nenhum; mas Tu, sozinho, meu Filho, Tu morres por todos. É o salário que recebes por teres salvado todos os homens, por os teres servido, meu Filho e meu Deus.»

Voltando-Se para Maria, Aquele que saiu dela exclama: «Porque choras, Mãe? […] Eu, não sofrer, não morrer? Como salvaria Adão? Não habitar o túmulo? Como devolveria à vida aqueles que moram na mansão dos mortos? Porque choras? Exclama antes: "Sofre voluntariamente, o meu Filho e meu Deus." Virgem prudente, não te tornes semelhante às insensatas (Mt 25,1ss.): tu estás no banquete de núpcias, não ajas como se tivesses ficado de fora. […] Não chores, pois, diz antes: "Tem piedade de Adão, sê misericordioso com Eva, meu Filho e meu Deus."

»Descansa, Mãe, serás tu a primeira a ver-Me sair do túmulo. Virei mostrar-te de que males resgatei Adão, que suores derramei por ele. Revelarei aos meus amigos as marcas que trarei nas mãos. Então, verás Eva viva como foi outrora, e exclamarás cheia de alegria: "Ele salvou os meus pais, o meu Filho e meu Deus!"»

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (14/09) por São Teodoro Estudita



(759-826), monge de Constantinopla 
Homilia para a adoração da cruz


A cruz, árvore de vida


Como é bela a imagem da cruz! A sua beleza não oferece mistura de mal e de bem, como outrora a árvore do jardim do Éden. Toda ela é admirável, «uma delícia para os olhos e desejável» (Gn 3,6). É uma árvore que dá a vida e não a morte; a luz e não a cegueira. Que leva a entrar no Éden e não a sair dele. Esta árvore, à qual Cristo subiu como um rei para o seu carro de triunfo, derrotou o diabo, que tinha o poder da morte, e libertou o género humano da escravidão do tirano. Foi sobre esta árvore que o Senhor, qual guerreiro de eleição, ferido nas mãos, nos pés e no seu divino peito, curou as cicatrizes do pecado, quer dizer, a nossa natureza ferida por Satanás. 

Depois de termos sido mortos pelo madeiro, encontrámos a vida pelo madeiro; depois de termos sido enganados pelo madeiro, é pelo madeiro que repelimos a serpente enganadora. Que permutas surpreendentes! A vida em vez da morte, a imortalidade em vez da corrupção, a glória em vez da ignomínia. Por este motivo, o apóstolo Paulo exclamou: «Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14). […] Mais do que qualquer sabedoria, esta sabedoria que floresceu na cruz tornou ignóbeis as pretensões da sabedoria do mundo (1Cor 1,17s). […] 

Foi pela cruz que a morte foi morta e Adão restituído à vida. Foi pela cruz que todos os apóstolos foram glorificados, todos os mártires coroados, todos os santos santificados. Foi pela cruz que fomos reconduzidos como ovelhas de Cristo, e reunidos no redil do alto.

Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

"..Dediquemos-nos a amar mais a Jesus..." - Carta de Santa Gema à sua amiga Aninha

Lutemos para que, a exemplo de amizades como esta, nossas amizades estejam cada vez mais purificadas e santificadas a fim de alcançarmos o fim único de todos os relacionamentos: Nosso Senhor Jesus Cristo.


Minha caríssima Aninha,

Tomando a pena para escrever-lhe, vem-me à lembrança as nossas últimas despedidas, as promessas recíprocas que fizemos, justamente no momento da separação. Como as poderemos esquecer, ao menos, como poderei eu esquecê-las? Não, ser-me-ia impossível.

Somente tive o prazer de falar-lhe por poucos dias, mas aquelas breves palavras, e todos os colóquios sobre Jesus, marcaram em meu coração tão viva impressão, e inspirou-me (permita que lho diga) tão grande afeto para com a sua pessoa, que não sei como externá-lo.

Muito tarde nos conhecemos ou muito tarde começamos a ser amigas. Mas por ser mesmo tarde, dediquemos-nos a amar mais a Jesus, a expandir nossos mais ternos afetos no seu coração.

Quisera que meu coração não palpitasse, não vivesse, não suspirasse, senão por Jesus, que minha língua não soubesse proferir senão o nome de Jesus, que meus olhos não vissem nada mais senão a Jesus, que minha pena não soubesse escrever senão a respeito de Jesus, e que meus pensamentos não dirigissem senão para Jesus.

Muitas vezes procuro refletir se há na Terra um objeto ao menos para o qual eu pudesse inclinar o meu amor; mas não acho nenhum nem na Terra, nem no Céu, senão o meu Amado Jesus.

Entretanto, quantas vezes me tenho desviado entre as enfadonhas dissipações da Terra; e quantos são os que se perdem nas vaidades do mundo!

Como são loucos! Parece impossível! Se pensassem em Jesus, Jesus lhes mudaria o coração, os afetos, os sentimentos e os suspiros; e se gozassem por um só instante da consolação que se sente em estar com Jesus, digo que não se separariam jamais dEle.

Chegaremos nós a amar a Jesus verdadeiramente? Sobretudo eu que continuamente O ofendo, e tenho ainda a coragem de acrescentar novos espinhos naquela coroa cruel que Lhe circunda o Coração?

Pobre Jesus! Mas sabe de que modo Ele se vinga das minhas infidelidades? Faz-me ver muitas vezes as Suas chagas, Suas mãos jorrando o sangue num incêndio de amor, com os braços abertos para nos estreitar e diz-me que é vítima perfeita do Seu grande amor por nós.

Peço sempre a Jesus que faça chegar depressa aquele momento que tanto desejo ir para o convento, porque sinto que no mundo não estou bem e ele não me pode fazer feliz de nenhum modo.

Peço que não se esqueça de mim em suas orações aos pés de Jesus Crucificado; o mesmo farei eu, o quanto puder; mas não espere nada de minas orações que são muito fracas.

Desejo que esta carta a encontre de perfeita saúde, como espero: e se não achar dificuldade, estimarei que cumprimente sua boa mãe por mim, e lhe peça que se lembre algumas vezes de mim junto a Jesus.

Perdoe-me a letra tão feia, e a má redação desta carta, porque não sei fazer nada.

Rezemos, invoquemos juntas a Jesus que nos dê a força de viver só para amá-Lo, que não se viva senão para amá-Lo, e que nos dê a graça de morrer expirando em Seu Coração num transporte de ardente amor.

Com muito particular estima a cumprimento; e peça muito, muito a Jesus pela pobre
GEMA

Retirada do livro Santa Gema Galgani, de Padre Germano de Santo Estanislau, C.P.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (13/09) por Santo Agostinho



(354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Sermão 98


«Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!»


No evangelho encontramos três mortos ressuscitados pelo Senhor de forma visível, e milhares ressuscitados de forma invisível. […] A filha do chefe da sinagoga (Mc 5,22ss), o filho da viúva de Naim e Lázaro (Jo 11) […] são símbolos dos três tipos de pecadores ainda hoje ressuscitados pelo Senhor. A menina ainda se encontrava em casa de seu pai […], o filho da viúva já não estava em casa de sua mãe, mas também ainda não estava no túmulo, […] e Lázaro já estava sepultado. […] 

Assim, há pessoas com o pecado dentro do coração mas que ainda não o cometeram. […] Tendo consentido no pecado, ele habita-lhes a alma como morto, mas não saiu ainda para fora. Ora, acontece amiúde […] aos homens esta experiência interior: depois de terem escutado a palavra de Deus, parece-lhes que o Senhor lhes diz: «Levanta-te!» E, condenando o consentimento que dantes haviam dado ao mal, retomam fôlego para viver na salvação e na justiça. […] Outros, após aquele consentimento, partem para os atos, transportando assim o morto que traziam escondido no fundo do coração para o expor diante de todos. Deveremos desesperar deles? Não disse o Salvador ao jovem de Naim: «Eu te ordeno: Levanta-te!»? Não o devolveu a sua mãe? O mesmo acontece a quem atua desse modo: tocado e comovido pela Palavra da Verdade, ressuscita à voz de Cristo e volta à vida. É certo que deu mais um passo na via do pecado, mas não pereceu para sempre. 

Já aqueles que se embrenharam nos maus hábitos, a ponto de perderem a noção do próprio mal que cometem, procuram defender os seus atos maus e enfurecem-se quando alguém lhos censura. […] A esses, esmagados pelo peso do hábito de pecar, albergam as mortalhas e os túmulos […] e cada pedra colocada sobre o seu sepulcro mais não é do que a força tirânica do hábito que lhes oprime a alma e os impede de se levantarem para respirar. […] 

Por isso, irmãos caríssimos, façamos de tal modo que quem vive viva, e quem está morto volte à vida […] e faça penitência. […] Os que vivem conservem a vida, e os que estão mortos apressem-se a ressuscitar.


Fonte: Evangelho Quotidiano

Dia 31 - Eterno Sacerdote - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora

Na foto, elevação da Hóstia Consagrada, por Dom Fernando Rifan,
Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney


Por Santo Afonso Maria de Ligório

Como era belo contemplar o Nosso amável Redentor no dia quem que, fatigado da viagem,o rosto radiante de graça e de ternura "se assentara à borda de um poço" (Jo 4,6), esperando a Samaritana para a converter e salvar. Pois, com essa mesma doçura, continuada dia por dia, o mesmo Jesus se conserva no meio de nós; descido do céu aos nossos altares, como a outras tantas fontes de graças, Ele espera as almas e as convida a Lhe fazerem companhia, ao menos por algum tempo, e isto a fim de atrai-las ao Seu perfeito amor. De todos os altares, onde está sacramentado, Jesus parecer dizer-nos: Homens, por que fugis da Minha Presença? Por que não vindes a Mim, não vos aproximais de Mim, que tanto vos amo e, para vosso bem, me conservo nesse estado de abatimento? Que temeis? Não é ainda como juiz que Eu vim ao mundo; neste sacramento e amor me ocultei unicamente para fazer bem e para salvar a quem quer que a Mim recorra: "Não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo" (Jo 12,47).

Compreendamos bem que, como Jesus Cristo, no céu, está sempre vivo para interceder em nosso favor (Hb 7,25), assim, no sacramento do altar, se ocupa sem cessar, dia e noite, em exercer em nosso favor o caridoso ofício de advogado, oferecendo-se como vítima ao Seu Eterno Pai para nos obter dele misericórdias e graças sem número.

Esta é a razão por que o piedoso Tomás de Kempis dizia que devemos aproximar-nos de Jesus no Santíssimo Sacramento e falar-lhe "sem apreensão nem constrangimento, como um amigo fala com seu amigo".

Visto que assim é, meu Rei e Senhor aqui oculto, permiti que Vos abra o meu coração cheio de confiança e Vos diga: Meu Jesus, terno amigo de nossas almas, eu conheço a ingratidão dos homens para conVosco. Vós os amais, e eles não Vos amam; Vós lhe fazeis bem e eles Vos desprezam; quereis que ouçam a Vossa voz, e eles não Vos escutam, Vós lhe ofereceis graças, e eles as rejeitam... Meu Jesus, e é verdade que eu mesmo me ajuntei outrora a esses ingratos para Vos ofender? Infelizmente é verdade; mas quero corrigir-me, quero durante os dias que me restam de vida, reparar as ofensas passadas, fazendo quanto possa para Vos agradar e satisfazer. Dizei, Senhor, o que quereis de mim; estou disposto a fazer tudo quanto me ordenastes; fazei-me conhecer a Vossa vontade por meio da santa obediência; espero executá-la fielmente. Meu Deus, estou decidido a fazer de agora para frente tudo que souber que Vos agrada, ainda que seja necessário perder tudo: parentes, amigos, honra, saúde e a própria vida. Perca-se tudo, contanto que fiqueis satisfeito.

Feliz é a perda, quando tudo se perde e tudo se sacrifica para contentar o Vosso Coração, Deus de minha alma" Amo-Vos, Bem supremo infinitamente mais amável do que todos os outros bens, e, amando-Vos, uno o meu pobre coração aos abrasados corações dos serafins, ao Coração de Maria, ao Coração de Jesus. Amo-Vos com toda a minha alma, e só a Vós quero amar sempre.

- Meu Deus, Meu Deus, eu sou Vosso, e Vós sois meu.

Na foto, Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Campos/RJ

TERNURA DE MÃE

Diz o bem-aventurado Amadeu que Maria, nossa Rainha Santíssima, "está continuamente diante de Deus, exercendo o ofício de advogada nossa e interpondo em nosso favor o poderoso crédito de Suas orações". Porque, ajunta ele, "vendo as nossas misérias e perigos, esta Senhora cheia de clemência não pode deixar de compadecer-se e nossos males e nos socorrer com uma ternura verdadeiramente maternal". Portanto, minha carinhosa Mãe, nesta hora mesma vedes as misérias da minha alma e os perigos que me cercam, e rogais por mim.

Rogai, sim, rogai, e não cessais de o fazer até que me vejais no céu para Vos render graças para sempre. Doce Virgem Maria, o piedoso Luís Blósio diz que, depois de Jesus sois a salvação segura daqueles que Vos servem fielmente. Pois bem, a graça que hoje Vos peço é a felicidade de ser até a morte Vosso servo fiel, a fim de que, ao sair deste mundo, vá bendizer-Vos no céu, seguro de nunca ser privado da Vossa presença, enquanto Deus for Deus.

-Maria, minha Mãe, fazei que eu Vos pertença sempre.

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Santíssimo Nome de Maria - 12 de setembro




"Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios".


“O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerado, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal”.




Hoje a Igreja celebra a memória do Santíssimo Nome de Maria. Como era costume entre os judeus, oito dias depois da Virgem Santíssima nascer, os seus pais deram-Lhe, inspirados por Deus, o nome de Maria.
A Espanha, por aprovação do Romano Pontífice, concedida em 1513, foi a primeira a celebrar esta festa. Inocêncio XI, em 1683, estendeu-a à Igreja Universal, em ação de graças pela vitória alcançada por João Sobieski, rei da Polônia, sobre os turcos que tinham cercado Viena e ameaçavam o Ocidente.
A celebração do Santíssimo Nome de Maria é uma das devoções marianas da Ordem da Santíssima Trindade. Introduzida nas Províncias Trinitárias Espanholas pelo Santo Trinitário Simão de Rojas no século XVI, imediatamente espalhou-se por toda Ordem a partir de 1622 com missa e ofício próprio. Introduzida e mantida na tradição da Ordem, esta celebração foi sempre confirmada nas reformas litúrgicas, tendo sua última revisão no ano de 1973.


Etimologia do nome de Maria:

De uma língua semítica, quer dizer “senhora”. Há vários correspondentes: no hebreu, Miryám; no árabe e etíope, Maryam. Maria é adaptação grega de Maryám, antiga forma hebraica que significa “excelsa, sublime”. F. Zorell tem este nome como sendo do egípcio, cujo significado seria “predileta de Javé”.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

DIa 30 - Invenção do amor - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Por que me ocultais a Vossa face?" (Jó 13,24). Era para Jó motivo de temor o ver que Deus lhe ocultava o Seu rosto; mas o ocultar Jesus a Sua majestade sob os véus eucarísticos não é para nós motivo de receio, e sim um motivo de confiança e amor; porque, como observa Novarino, "é exatamente para aumentar a nossa confiança e melhor nos manifestar o Seu amor, que o nosso Deus se oculta sob as espécies do pão". Porquanto, se este Rei do céu deixasse brilhar em nossos altares o esplendor da sua glória, quem ousaria chegar-se a Ele e manifestar-Lhe com toda a confiança os seus afetos e desejos?

Meu Jesus, que invenção cheia de amor a do Santíssimo Sacramento, onde Vos ocultais sob a aparência do pão, para estardes ao alcance de todos os que querem, aqui na terra, Vos achar e amar! Muita razão tinha o profeta de exortar os homens a levantarem a voz e a publicarem por todo o mundo até onde chegaram as invenções do amor do nosso Deus para conosco: "Fazei conhecer aos povos as suas invenções" (Is 12,4).

Coração amoroso do meu Jesus, digno de possuir os corações de todas as criaturas; Coração sempre repleto de chamas do mais puro amor, ó fogo abrasador, consumi-me inteiramente e dai-me uma vida nova, toda de amor e de graça! Uni-me de tal maneira a Vós que nunca mais de Vós me separe.

Coração aberto para ser o refúgio das almas, recebei-me. Coração dilacerado na cruz pelos pecados do mundo, dai-me verdadeira dor de meus pecados. Sei que, neste Divino Sacramento, conservais os mesmos sentimentos de amor que tínheis ao morrer por mim no Calvário; é, pois, certo que sejais ardentemente unir-me todo a Vós; será então possível que eu ainda resista e não me deixe vencer pelo Vosso amor? Pelos Vossos méritos Vos peço: Amado Jesus, feri-me, ligai-me, prendei-me estreitamente ao Vosso Coração.

Com o auxílio da Vossa graça tomo hoje a resolução de Vos contentar em tudo daqui em diante, de calcar aos pés o respeito humano, inclinações, repugnâncias, caprichos, interesses, e enfim tudo o que possa impedir-me de Vos contentar plenamente. Fazei, Senhor, que eu seja fiel à minha resolução e que de hoje em diante todas as minhas ações, todos os meus pensamentos e afetos, sejam inteiramente conformes à Vossa vontade. Amor divino, bani do meu coração qualquer outro amor. Maria, minha esperança, tudo podeis junto de Deus: obtende-me a graça de ser até à morte um servo fiel do puro amor de Jesus. Amém, assim seja. Assis o espero no tempo e na eternidade.

-"Quem me separará do amor de Jesus Cristo?" (Rm 8,35).

MÃE COMPASSIVA

Afirma São Bernardo que o amor de Maria para conosco não pode ser maior nem mais poderoso; de sorte que Ela é rica de ternura para se compadecer de nossas penas, e de poder para as aliviar. Ele diz: "A poderosa e compassiva caridade da Mãe de Deus distingue-se ao mesmo tempo pela ternura da Sua compaixão e eficácia da Sua proteção; nela estas duas coisas são igualmente imensas". É, pois, verdade, Rainha puríssima, que sois tão rica em poder como em bondade: a todos podeis e desejais salvar. HOje, portanto, e todos os dias de minha vida, Vos invocarei como o piedoso Luís Biósio: "Augusta Senhora, protegei-me nos combates, fortificai-me nos defalecimentos". Sim, ó Maria, na grande luta que sustento contra o inferno, socorrei-me sempre; e quando virdes qe eu estou a ponto de sucumbir, dai-Vos pressa em estender-me a Vossa Mão, e sustentai-me fortemente. Deus, quantas tentações tenho ainda a vencer até à morte! Mas Vós, minha esperança, meu refúgio, minha fortaleza, ó Maria, não permitais que eu perca jamais a graça de Deus. Estou resolvido a recorrer sempre e prontamente a Vós em todas as tentações, dizendo:

-Socorrei-me, ó Maria! Ó Maria, socorrei-me!

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora

É uma entrega na totalidade - São Luís Maria Grignion de Montfort


Consiste em consagrar-se inteiramente, na qualidade de escravo, a Maria e, por Ela, a Jesus Cristo. Trata-se, pois, dum compomisso a fazer todas as ações com Maria, em Maria, por meio de Maria e para Maria. Vou explicar o que isso significa.

Escolherás uma data importante para essa entrega, para te consagrares e entregares em sacrifício, voluntariamente e por amor – não por constrangimento – inteiramente e sem qualquer reserva, no corpo e na alma, consagrando os teus bens exteriores de fortuna, tais como, a casa, a família e os rendimentos; e ainda os próprios bens interiores da alma, como sejam: os próprios méritos, as graças, virtudes e satisfações. Aqui convém sublinhar que, com esta devoção, faz-se entrega a Jesus, por meio de Maria, de tudo quanto uma alma tem de mais precioso e que nenhum Instituto Religioso pede para se sacrificar, como seja o direito da pessoa de dispor de si e do mérito das próprias orações, esmolas, mortificações e satisfações. Entrega-se inteiramente tudo; põe-se tudo à disposição da Santíssima Virgem para que o aplique segundo a sua vontade e para a maior glória de Deus que só Ela conhece com perfeição.
Deixa-se à disposição da Santíssima Virgem odo o mérito satisfatório e impetratório das boas obras. Por isso, depois de se Lhe te feito uma al oferta, mesmo sem ser acompanhada por qualquer voto, não mais se fica dono e senhor do que quer se faça, e a Santíssima Virgem fica com o pleno direito e aplicar esse mérito que a favor duma alma do purgatório que necessite ser aliviada ou libertada, quer em benefício dum pobre pecador a necessitar de conversão. Por esta devoção colocam-se as mãos da Senhora os próprios méritos. Porém, isso é para que Ela os guarde, os multiplique, e os embeleze, já que os méritos em ordem à graça santificante e à glória não poderão ser cedidos a outras pessoas.

Dão-se-Lhe, no entanto, todas orações e as boas obras pessoais, uma vez que têm um valor impetratório e satisfatório, para que Ela as distribua e aplique a quem quiser. Se, porventura, depois duma tal consagração à Senhora, se quisesse aliviar uma alma do Purgatório, rezar pela conversão dum pecado em concreto, ajudar algum dos nossos amigos mediante a própria oração, a penitência, a esmola e ouros sacrifícios, pois poderá fazer-se desde que se Lhe peça com humildade e que, de antemão, se aceite a Sua vontade, mesmo sem a conhecer. Fique-se, porém, com a certeza de que o mérito das próprias ações – já que administrado pela mesma mão de que Deus se serve para distribuir os seus dos e graças -, só poderá ser aplicado para a maior glória de Deus.


O Segredo de Maria - São Luís Maria Gigion de Montfort
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