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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O pecador aflige o Coração de Deus - Meditação de Santo Afonso para os dias de Carnaval (Parte I)





Exacerbavit Dominum peccator: secundum multitudinem irae suae non quaeret ― "O pecador irritou ao Senhor: não se importa da grandeza de sua indignação" (Ps. 9, 24).

Sumário. Não há dissabor maior do que ver-se pago com ingratidão por uma pessoa amada e beneficiada. Daí infere quanto deve estar amargurado o Coração sensibilíssimo de Jesus, que, não obstante os imensos e contínuos benefícios concedidos aos homens, é tão vilmente ultrajado pela maior parte deles, especialmente neste tempo de carnaval. Jesus não pode morrer; mas, se o pudesse, havia de morrer só de tristeza. Procuremos nós ao menos desagravá-Lo um pouco com os nossos obséquios.

I. O pecador injuria a Deus, desonra-O e por isso amargura-O sumamente. Não há dissabor mais sensível do que ver-se pago com ingratidão por uma pessoa amada e beneficiada. A quem ofende o pecador? Injuria um Deus, que o criou e amou a ponto de dar por amor dele o sangue e a vida. Cometendo um pecado mortal, bane esse Deus de seu coração.

Que mágoa não sentirias, se recebesses injúria grave de uma pessoa a quem tivesses feito bem? É esta a mágoa que causaste a teu Deus, que quis morrer para te salvar. Com razão o Senhor convida o céu e a terra, para de alguma sorte compartilharem com ele a dor que lhe causa a ingratidão dos pecadores: Ouvi, céus, e tu, ó terra, escuta: Criei uns filhos e engrandeci-os; porém, eles me desprezaram. ― Ipsi autem spreverunt me (1). ― Numa palavra, os pecadores, com o pecado, afligem o coração de Deus: Exacerbavit Dominum peccator. Deus não está sujeito à dor, mas, se a pudesse sofrer, um só pecado mortal bastaria para O fazer morrer de tristeza, porque Lhe causaria uma tristeza infinita. Assim, o pecado, no dizer de São Bernardo, por sua natureza é o destruidor de Deus: Peccatum, quantum in se est, Deum perimit.

Quando o homem comete um pecado mortal, dá, por assim dizer, veneno a Deus, faz o que está em si, para tirar-lhe a vida. Segundo a expressão de São Paulo, renova de certo modo a crucifixão e as ignomínias de Jesus e calca-O aos pés, pois que despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo: Qui filium Dei conculcaverit (2). Eis porque a vida do Redentor foi tão amargurada e penosa: tinha sempre diante dos olhos os nossos pecados.

II. Se um só pecado basta para afligir o coração de Deus, considera quanto deverá ficar amargurado particularmente no tempo de carnaval, quando se comete um sem-número de pecados. ― Santa Margarida Alacoque, para consolar um pouco o seu divino Esposo de tantas amarguras, alcançara de Deus que cada ano no carnaval lhe sobreviessem dores acerbíssimas, que soíam* durar até a quarta-feira de Cinzas, dia em que parecia reduzida aos extremos. Dando conta desta graça assinalada a seu diretor, a Santa exprime-se assim: "Esses dias são para mim um tempo de tamanho sofrimento, que não posso contemplar senão o meu Jesus sofredor, compadecendo-me das aflições de seu sacratíssimo Coração".

Meu irmão, se não tens suficiente ânimo para imitar aquela amantíssima esposa de Jesus, ao menos, já que agora consideraste a malícia do pecado, afasta-te no futuro bem longe dele. E nestes dias de desenfreada libertinagem, não percas de vista as seguintes belas palavras de Santo Agostinho: "Os gentios", diz ele (e o mesmo fazem os maus cristãos), "regozijam-se com gritos de alegria, mas vós alegrai-vos com a palavra de Deus; eles correm aos espetáculos, vós procurai apressadamente as igrejas; eles embriagam-se, mas vós, sede sóbrios e temperantes".

Se porventura em outros tempos cometeste alguma culpa grave e assim afligiste o teu Deus tão amável, dize-Lhe agora com coração contrito e amoroso: + "Meu amável Jesus, para mostrar-Vos minha gratidão e para reparar as minhas infidelidades, dou-Vos o meu coração e consagro-me inteiramente a Vós, e com vosso auxílio proponho não pecar mais" (3). + Ó doce Coração de Maria, sede a minha salvação. (*II 70.)
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1. Is 1, 2.
2. Heb 10, 29.
3. Indulg. de 100 dias.

*soíam: do verbo soer = costumar.


(Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 264-266.)
Fonte: Blog São Pio V

Carta da Irmã Lúcia, vidente de Fátima, explicando a Devoção Reparadora ao Imaculado Coração de Maria à sua madrinha


 Tuy, 1-11-1927

Minha querida Madrinha

Venho hoje agradecer a sua amável cartinha, à qual já devia ter respondido há muito, mas espero que me perdoará o meu prolongado silêncio.

Gostei muito de saber que tinha feito a viagem a Lourdes sem novidade e que aos pés da nossa querida Mãe do Céu não esqueceu essa pobre alma. EU nas minhas pobres orações também não esqueci ainda a minha boa Madrinha.

Não sei se já tem conhecimento da devoção reparadora dos 5 sábados ao Imaculado Coração de Maria, mas como ainda é nova, lembrou-me de lha inculcar por ser uma pedida por a nossa querida Mãe do Céu, e por Jesus ter manifestado desejo que seja abraçada. Pareceu-me por isso que a Madrinha estimará muito não só de ter o conhecimento dela, para dar a Jesus a consolação de a praticar, mas também a de a fazer conhecer e abraçar por muitas outras pessoas.

Consta no seguinte: Durante 5 meses, no 1º sábado, receber Jesus Sacramentado, rezar um Terço, fazer 15 minutos de companhia a Nossa Senhora, meditando nos mistérios do Rosário, e fazer uma confissão. Esta pode ser antes alguns dias e, se nesta confissão anterior nos esquecemos de formar a intenção, podemos oferecer a confissão seguinte, contanto que no 1º sábado se receba a Sagrada Comunhão em estado de graça com o fim de reparar as ofensas que se proferem contra a S.S. Virgem,, e que têm amargurado o seu Imaculado Coração.

Parece-me, minha boa Madrinha, que somos felizes por poder dar à nossa querida Mãe do Céus esta prova de amor, que sabermos deseja que se Lhe ofereça. Quanto a mim, confesso (que) nunca me sinto tão feliz como quando chega o 1º sábado. E não é verdade que a nossa maior felicidade está em sermos todas de Jesus e Maria; e amá-l'Os a Eles só, sem reserva? Vemos isto tão claro na vida dos santos ... Eles eram felizes porque amavam, e nós, minha boa Madrinha, havemos de procurar amar como eles, não só para gozar de Jesus, que é o menos, - se O não gozarmos cá, gozá-l'O-hemos lá - , mas para darmos a Jesus e Maria a consolação de serem amados. E se o pudéssemos fazer de modo que Eles Se vissem amados, sem saber de quem, e que assim, em troca deste amor, salvassem muitas almas, então me parece que seria de todo feliz. Mas já que isto não podemos, ao menos amemo-l'Os para Eles serem amados.

Adeus, minha boa Madrinha, abraço-a nos Corações S.S. de Jesus e Maria.

Maria Lúcia de Jesus

Carta da Irmã Lúcia à sua madrinha.
Fátima e o Coração de Maria, Pe. António Maria Martins, S.J.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Comentário ao Evangelho do dia (21/02) feito por São Rafael Arnaiz Baron



(1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais 07/04/1938


«Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me»

 
Como se vive bem no coração de Cristo! Quem se pode queixar por sofrer ? Só o insensato, que não adora a Paixão de Cristo, a cruz de Cristo, o coração de Cristo, pode sentir-se desesperado com o seu próprio sofrimento. […] Que bem se vive junto à cruz de Jesus!

Cristo Jesus, […] mostra-me essa sabedoria que consiste em amar o desprezo, as injúrias, o opróbrio; ensina-me a sofrer com a alegria humilde e sem clamor dos santos; ensina-me a ser manso com aqueles que não me amam ou que me desprezam; mostra-me esse conhecimento que Tu, no alto do calvário, mostras ao mundo inteiro.

Eu sei: uma voz interior, muito suave, explica-me tudo; sinto em mim uma coisa que vem de Ti e que não sei definir, que me decifra muitos mistérios que o homem não pode compreender. Eu, Senhor, à minha maneira, entendo tudo. É o amor. É só isso. Vejo-o, Senhor, não preciso de mais nada. É o amor! Quem pode explicar o amor de Cristo? Que os homens e as outras criaturas se calem; calemo-nos, para que, no silêncio, escutemos os sussurros do amor, do amor humilde, do amor paciente, do amor imenso, infinito, que Jesus nos oferece, pregado à sua cruz, com os braços totalmente abertos. O mundo, na sua loucura, não O escuta.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (20/02) feito por São Rafael Arnaiz Baron



(1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais 07/04/1938


«Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito»

 
Jesus bendito, que me ensinaram os homens que Tu não me tenhas ensinado na Tua cruz? Ontem vi claramente que só aprendemos acorrendo a Ti e só Tu nos dás forças nas provas e tentações; que somente ao pé da tua cruz, vendo-Te pregado a ela, aprendemos o perdão, a humildade, a caridade, a bondade. Não Te esqueças de mim, Senhor; olha para mim, prostrado na tua frente, e concede-me o que Te peço. Depois, que venham os desprezos, que venham as humilhações […], que me importa! Contigo a meu lado tudo posso. A lição prodigiosa, admirável, inexprimível que me dás com a tua cruz dá-me forças para tudo.

Cuspiram-Te, insultaram-Te, flagelaram-Te, pregaram-Te a uma cruz e, sendo Tu Deus, perdoaste, calaste-Te humildemente e ofereceste-Te a Ti próprio. Que posso dizer da tua Paixão? É melhor não dizer nada e que, no fundo do meu coração, medite no que o homem nunca poderá chegar a compreender; que me contente com amar profundamente, apaixonadamente, o mistério da tua Paixão. […]

Que doce é a cruz de Jesus! Que doce é sofrer perdoando! [...] Como não ficar louco? Ele mostra-me o seu coração aberto aos homens e por eles desprezado. Onde já se viu e quem alguma vez sonhou suportar tamanha dor? Como vivemos bem no coração de Cristo! 
 

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (19/02) feito por Santa Juliana de Norwich



(1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do amor divino, cap. 52 


«Vês alguma coisa?»


Vi que Deus Se regozija por ser nosso pai, que Deus Se regozija por ser nossa mãe, que Deus Se regozija por ser o nosso verdadeiro esposo e por ter a nossa alma por esposa bem-amada. Cristo regozija-Se por ser nosso irmão, Jesus regozija-Se por ser o nosso Salvador. […]

Durante o tempo da nossa existência, nós os que vamos ser salvos conhecemos uma espantosa mistura de bem e de mal. Temos em nós a Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado, e temos em nós a miséria e a malícia da queda e da morte de Adão. […] Ficámos tão afectados pela queda de Adão que, devido ao pecado e a vários outros sofrimentos, temos a sensação de estar nas trevas; cegos, mal conseguimos sentir o mais pequeno conforto. Mas, pela nossa vontade e o nosso desejo, permanecemos em Deus e cremos com confiança na sua misericórdia e na sua graça; é assim que Ele opera em nós. Através da sua bondade, abre o olhar do nosso entendimento, que umas vezes nos faz ver mais, outras vezes menos, consoante a capacidade que Ele nos dá. Tão depressa nos eleva, como permite que caiamos.

Esta mistura é tão desencorajante que nos é difícil saber, no que diz respeito a nós próprios e aos nossos semelhantes em Cristo, qual o caminho que trilhamos, de tal forma o que sentimos é mutável. Mas o que conta é dizer um santo «sim» a Deus quando O sentimos, querer estar verdadeiramente com Ele com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todas as nossas forças (Mc 12,30); então odiamos e desprezamos o nosso impulso para o mal. […] Encontramo-nos nesta encruzilhada todos os dias da nossa vida. 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Comentário do Evangelho do dia (18/02) feito por Santa Gertrudes de Helft



(1256-1301), monja beneditina
Exercícios, n° 5; SC 127 


«Não vedes? Ainda não compreendestes?»

 
«Deus, meu Deus, procuro-Te desde a aurora» (Sl 62,2 Vulg). […] Ó luz mui serena da minha alma, manhã resplandecente, torna-Te em mim o nascer do dia; brilha sobre mim com tanta clareza que na tua luz vejamos a luz (Sl 35,10). Que através de Ti a minha noite se transforme em dia. Minha manhã muito amada, que por amor do teu amor eu despreze tudo o que não és Tu. Visita-me desde a aurora para me transformares súbita e totalmente em Ti. […] Destrói tudo o que é de mim; faz com que eu passe totalmente para Ti, de modo que nunca mais me possa encontrar em mim durante este tempo limitado, mas que fique estreitamente ligada a Ti para a eternidade. […]

Quando serei saciada por beleza tão grande e tão brilhante? Ó Jesus, magnífica Estrela da manhã (Ap 22,16), resplandecente de claridade divina, quando serei iluminada pela tua presença? Esplendor tão digno de amor, quando me saciarás de Ti? Oh, se aqui em baixo eu pudesse descobrir ao menos os raios delicados da tua beleza […], ter ao menos uma percepção da tua doçura e saborear-Te antecipadamente, a Ti que és a minha herança de eleição (cf Sl 15,5). […] Tu és o espelho resplandecente da Trindade Santa que é permitido aos puros de coração contemplar (Mt 5,8): lá em cima face a face, cá em baixo apenas num reflexo.

Comentário do Evangelho do dia (17/02) feito por São Pio de Pietrelcina



(1887-1968), capuchinho
CE, 57; Carta 3, 400ss


«Porque pede esta geração um sinal?»


O mais belo acto de fé é aquele que brota nos teus lábios em plena obscuridade, entre os sacrifícios, os sofrimentos, o supremo esforço de uma vontade firme de fazer o bem. Tal como o relâmpago, este acto de fé rasga as trevas da tua alma; no meio dos raios da trovoada, eleva-te e conduz-te a Deus.

A fé viva, a certeza inabalável e a adesão incondicional à vontade do Senhor são a luz que ilumina os passos do povo de Deus no deserto. É esta mesma luz que brilha a cada momento em qualquer espírito agradável ao Pai. Foi também esta luz que conduziu os Magos e os levou a adorar o Messias recém-nascido. Ela é a estrela profetizada por Balaão (Nm 24,17), a tocha que guia os passos de cada homem que procura a Deus.

Ora, esta luz, esta estrela, esta tocha são também o que ilumina a tua alma, o que dirige os teus passos para evitar que cambaleies, o que fortifica o teu espírito no amor de Deus. Tu não O vês, não O compreendes, mas também não é necessário. Tu apenas verás trevas, que não são evidentemente as dos filhos da perdição, mas as que rodeiam o Sol eterno. Toma por seguro que este Sol brilha na tua alma; o profeta do Senhor cantou a Seu respeito: «Com a Tua luz eu verei a luz» (Sl 35,10). 
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (15/02) feito por São João Crisóstomo



(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia 82 sobre o Evangelho segundo São Mateus, 5


O nosso pastor dá-Se a Si próprio em alimento

 
«Quem poderá contar as obras do Senhor e apregoar todos os Seus louvores?» (Sl 106,2). Qual é o pastor que alguma vez se tenha dado em alimento às próprias ovelhas? Pastor, disse eu? Desde que nascem, confiam as mães os filhos a amas. Mas Jesus não pode aceitar um tal proceder para as suas ovelhas; daí que seja Ele a alimentar-nos com o seu próprio sangue, fazendo assim de nós um só corpo com Ele.

Considerai, irmãos, como Cristo nasceu da nossa própria substância. Alguém dirá: que importa? Isso a mim não me diz respeito. Perdão, direi eu, mas esse nascimento, irmão, reveste-se da máxima importância para todos os homens. Se o Verbo Se fez um de nós, se veio assumir a nossa natureza humana, isso diz respeito à salvação de toda a humanidade. E se veio para todos nós, veio para cada um em particular. Dir-me-ás agora: então porque não colheram todos os homens o fruto que deviam dessa vinda? Não responsabilizes Jesus, que escolheu este meio para a salvação de todos; a falha está em quem constitui o receptáculo desse benefício. Pois Jesus une-Se a cada um dos seus fiéis na Eucaristia, e assim os faz renascer alimentando-os dele próprio, não os deixando entregues a outrem, mas convencendo-os duma vez por todas de que tomou de verdade a nossa carne. 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (14/02) feito por Santo Agostinho



(354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Discursos sobre os salmos, Sl 103,5-6 


«Afastando-Se com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos»

 
«[Deus]cura todas as tuas enfermidades» (Sl 103,3). Não temas, todas as doenças serão curadas. Dirás que são grandes; mas o Médico é maior. Para um Médico todo-poderoso não há doenças incuráveis. Deixa apenas que Ele te trate, não rejeites a sua mão; Ele sabe o que tem a fazer. Não te alegres apenas quando Ele age com suavidade, aceita-O quando corta. Aceita a dor do remédio, pensando na saúde que te vai trazer.

Vede, meus irmãos, tudo o que os homens, nas suas doenças, aguentam para prolongar a vida mais alguns dias. […] Tu, ao menos, não sofrerás por um resultado duvidoso: Aquele que te prometeu a saúde não Se pode enganar. Porque é que os médicos às vezes se enganam? Porque não foram eles que criaram o corpo que tratam. Mas Deus fez o teu corpo, Deus fez a tua alma. Ele sabe recriar o que criou; sabe reformar o que formou. Só tens de te abandonar às suas mãos de médico. […] Suporta, portanto, essas mãos e «bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não esqueças nenhum dos seus benefícios. É Ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades» (Sl 103,2-3).

Aquele que te concebeu para que nunca estivesses doente, se tivesses querido guardar os seus preceitos, não te curará ? Aquele que fez os anjos e que, ao recriar-te, te fará igual a eles, não te curará? Aquele que fez o céu e a terra, Ele, que te fez à sua imagem, não te curará? (cf Gn 1,26) Curar-te-á mas, para isso, tens de consentir em ser curado. Ele cura de modo perfeito todos os doentes, mas só se eles quiserem. […] A tua saúde é Cristo.
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (12/02) feito por São Rafael Arnáiz Bairón



(1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais, 04/03/1938


«Senhor, criai em mim um coração puro» (Sl 50,12)

 
Que venham os sábios, perguntando onde está Deus. Deus encontra-Se onde o sábio, com toda a sua orgulhosa ciência, não consegue chegar. Deus encontra-Se no coração desprendido, no silêncio da oração, no sofrimento como sacrifício voluntário, no vazio do mundo e das suas criaturas. Deus está na cruz; enquanto não amarmos a cruz, não O veremos, não O sentiremos. Calai-vos homens, que não parais de fazer barulho!

Ah, Senhor, como estou feliz no meu retiro! Como Te amo na minha solidão! Como gostaria de Te oferecer o que já não tenho, pois tudo dei! Pede-me, Senhor. Mas que posso eu dar-Te? O meu corpo, já o tens, é teu; a minha alma, Senhor, por que suspira ela se não por Ti, para que no fim acabes por tomá-la? O meu coração está aos pés de Maria, chorando de amor e sem querer mais nada se não Tu.

A minha vontade: por acaso desejo, Senhor, o que Tu não desejas? Diz-me, Senhor, qual é a tua vontade e porei a minha em uníssono. Amo tudo o que me envias e me dás, tanto a saúde como a doença, tanto estar aqui como ali, tanto ser uma coisa como outra; toma a minha vida, Senhor, quando o desejares. Como não ser feliz assim? Se o mundo e os homens soubessem. Mas eles não saberão, estão muito ocupados com os seus interesses, têm o coração muito cheio de coisas que não são Deus. 
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (11/02) feito por Santo Agostinho



(354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 155, 6


«Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim»

 
«A lei do Espírito de vida em Cristo Jesus libertou-me da lei do pecado e da morte» (Rom 8,2). […] São Paulo diz que a Lei de Moisés foi dada para demonstrar a nossa fraqueza, e não apenas para demonstrá-la, mas para aumentá-la, e nos levar a procurar o médico […]: «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rom 3,20; 5,20). […] Porque é que a primeira Lei, que foi escrita com o dedo de Deus (Ex 31,18), não trouxe a tão necessária salvação da graça? Porque foi escrita em tábuas de pedra e não em tábuas de carne, que são os nossos corações (2Cor 3,3). […]

É o Espírito Santo que escreve, não na pedra, mas no coração; «a Lei do Espírito de vida», escrita no coração e não na pedra, esta Lei do Espírito de vida que está em Jesus Cristo em quem a Páscoa foi celebrada em toda a verdade (1Cor 5,7-8), libertou-vos da lei do pecado e da morte. Quereis uma prova da diferença evidente e certa que separa o Antigo Testamento do Novo? […] Escutai o que o Senhor disse pela boca de um profeta […]: «Imprimirei a minha Lei, gravá-la-ei no seu coração» (Jer 31,33). Se a Lei de Deus está escrita no teu coração, não produz medo [como no Sinai], mas espalha na tua alma uma secreta suavidade. 
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (10/02) feito por Santa Faustina



(1905-1938), religiosa
Diário, §§ 949-950


«Quantos tocavam a franja do seu manto ficavam curados»

Misericórdia divina, que nos acompanhais por toda a vida, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que nos envolveis de modo particular na hora da morte, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que nos concedeis a vida imortal, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que nos acompanhais em cada momento da vida, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que nos protegeis do fogo do inferno, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, na conversão dos pecadores endurecidos, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, assombro para os anjos, inconcebível para os santos, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, insondável em todos os mistérios de Deus, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que nos ergueis de toda a miséria, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, fonte da nossa felicidade e alegria, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que do nada nos chamastes à existência, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que abraçais todas as obras das Vossas mãos, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que coroais tudo o que existe e que venha a existir, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, na qual todos estamos mergulhados, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, doce consolação dos corações angustiados, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, única esperança das almas desesperadas, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, repouso dos corações e paz em tempo de ansiedade, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, delícia e êxtase das almas santas, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que inspirais confiança mesmo contra toda a esperança, eu confio em Vós.
Misericórdia divina, que brotais do seio do Pai, eu confio em Vós.

Ó Deus eterno, cuja misericórdia é infinita e cujo tesouro de compaixão não tem limites, olhai-nos propício e aumentai a vossa misericórdia para connosco para que nos momentos difíceis não desesperemos, nem desanimemos, mas com grande confiança nos conformemos à vossa santa vontade, que é o amor e a própria misericórdia. 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (09/02) feito por São Josemaria Escrivá



(1902-1975), presbítero, fundador
Homilia 04/05/1957 in «Cristo que passa» § 147


«Vós sois o sal da terra. [...] Vós sois a luz do mundo.»

 
Encher de luz o mundo, ser sol e luz – assim definiu o Senhor a missão dos seus discípulos. Levar até aos confins da Terra a boa nova do amor de Deus – a isso devem dedicar a vida, de um modo ou de outro, todos os cristãos. Direi mais: temos de sentir o desejo de não estar sós; temos de animar outros a contribuírem para essa missão divina de levar a alegria e a paz ao coração dos homens. «À medida que progredis, atraí a vós os outros», escreve S. Gregório Magno. «Desejai ter companheiros no caminho para o Senhor.»

Mas lembrai-vos de que, «enquanto os homens dormiam», veio o semeador do joio, diz o Senhor numa parábola (Mt 13,25). Nós, os homens, estamos expostos a deixar-nos levar pelo sono do egoísmo, da superficialidade, desperdiçando o coração em mil experiências passageiras, evitando aprofundar o verdadeiro sentido das realidades terrenas. Triste coisa é esse sono, que sufoca a dignidade do homem e o torna escravo da tristeza! […]

É necessário, portanto, despertar os que tenham caído nesse mau sono, recordar-lhes que a vida não é um divertimento, mas um tesouro divino que há que fazer frutificar. É necessário também ensinar o caminho aos que têm boa vontade e bons desejos mas não sabem como pô-los em prática. Cristo urge-nos (2Cor 5,14). Cada um de vós há-de ser, não só apóstolo, mas apóstolo de apóstolos, arrastando outros convosco, movendo os demais para que também eles dêem a conhecer Jesus Cristo. 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (08/02) feito por Santa Faustina



(1905-1938), religiosa
Diário (Fátima, 2003), 949

Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles

O amor de Deus é flor – a misericórdia, o fruto. Que a alma que desconfia entoe estes louvores à Misericórdia de Deus, e se torne confiante.

Misericórdia divina, que brotais do seio do Pai, eu confio em vós.
Misericórdia divina, maior atributo de Deus, eu confio em vós.
Misericórdia divina, inconcebível mistério, eu confio em vós.
Misericórdia divina, fonte que brotais do mistério da Santíssima Trindade, eu confio em vós.
Misericórdia divina, insondável por qualquer intelecto humano ou angélico, eu confio em vós.
Misericórdia divina, manancial de toda a vida e felicidade, eu confio em vós.
Misericórdia divina, acima de todos os céus.
Misericórdia divina, fonte de milagres e de prodígios.
Misericórdia divina, que abraçais o universo inteiro.
Misericórdia divina, que descestes ao mundo na Pessoa do Verbo encarnado.
Misericórdia divina, que brotastes da chaga aberta do Coração de Jesus.
Misericórdia divina, encerrada no Coração de Jesus para nós, e de modo particular para os pecadores.
Misericórdia divina, insondável na instituição da Sagrada Hóstia.
Misericórdia divina, na instituição da Santa Igreja.
Misericórdia divina, no sacramento do Santo Baptismo.
Misericórdia divina, na nossa justificação por Jesus Cristo. 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A bondade de Nosso Senhor



Nosso Senhor é como uma mãe que carrega o filho nos braços. O filho é mau; dá ponta pés na mãe, morde-a, arranha-a; porém a mãe não dá atenção, sabe que, se o largar, ele cairá, não poderá andar sozinho... Eis aí como é Nosso Senhor... Atura todos os nossos maus tratos; suporta todas as nossas arrogâncias; perdoa todas as nossas tolices; tem pena de nós contra a nossa vontade...

Fonte: Blog São Pio V

O Céu da Eucaristia - São Pedro Julião Eymard

Subindo ao Céu no dia da Ascensão, Jesus Cristo vai tomar posse de Sua glória e preparar-nos um lugar. Com Jesus Cristo, a humanidade remida entra no céu: sabemos que este não mais nos está fechado, e vivemos na expectativa do dia em que as suas portas se abrirão diante de nós. Essa esperança nos ampara e nos dá coragem. A rigor, poderia bastar para levarmos uma vida cristã e, para não perder tal esperança, sofreríamos todas as tristezas da vida. Entretanto, Nosso Senhor, para conservar em nós e tornar mais eficaz a esperança do Céu, para fazer com que esperemos pacientemente o céu da glória e conduzir-nos a ele, criou o belo céu da Eucaristia. Pois a Eucaristia é um belo céu, o céu antecipado. Não é Jesus glorioso, vindo do Céu à terra, e trazendo o Céu consigo? O Céu não está em toda parte onde se encontra Nosso Senhor? Seu estado, embora velado a nossos sentidos, ali está glorioso, triunfante, bem-aventurado: nada mais tem das misérias da vida e, quando comungamos, recebemos o Céu, pois recebemos Jesus, Que constitui toda a felicidade e toda a glória do paraíso. Que glória para um súdito receber o seu rei! Nós também, glorifiquemo-nos: recebemos o Rei do Céu! Jesus vem a nós para que não esqueçamos a nossa verdadeira pátria, ou então para que, nela pensando, não morramos de desejo e tédio. Ele vem e permanece corporalmente em nossos corações enquanto dura o Sacramento; depois, destruídas as espécies, sobe de novo ao Céu, mas permanece em nós por Sua graça e por Sua presença de amor. Por que não permanece muito tempo? Porque a condição de Sua presença corporal é a integridade das santas espécies.
Jesus, vindo a nós, traz os frutos e as flores do paraíso. Quais são? Não sei; não se os vê, mas sente-se-lhes o perfume. Ele nos traz os méritos glorificados, Sua espada vitoriosa de Satanás; traz-nos as Suas armas para que as utilizemos; Seus méritos, para que lhes acrescentemos os nossos, fazendo com que frutifiquem. A Eucaristia é a escada, não de Jacó, mas de Jesus, Que por nós sobe ao Céu e dele desce continuamente. Ele Se acha num movimento incessante para nós.
Mas vejamos quais são os bens celestes que Jesus especialmente nos traz, quando O recebemos.
Primeiro, a glória. É verdade que a glória dos santos e bem-aventurados é uma flor que só desabrocha ao sol do paraíso e sob o olhar de Deus; essa glória refulgente, não a podemos ter sobre a terra; adorar-nos-iam! Mas recebemos o seu germe oculto, que a contém interia, como a semente encerra a espiga. A Eucaristia deposita em nós o fermento da ressurreição, em consideração a uma glória especial e mais brilhante, e, semeada na carne corruptível, refulgirá em nosso corpo ressuscitado e imortal.
Em seguida, a felicidade. Nossa alma, entrando no Céu, vê-se na posse da felicidade de Deus, sem receio de perdê-la ou de vê-la diminuída. Mas, na Comunhão, não recebeis algumas parcelas dessa verdadeira felicidade? Não nos é dada inteira, para que não deixemos de pensar no Céu; mas de que paz, de que suave alegria não sois inundados após a Comunhão! Quanto mais desapegada a alma das afeições terrestres, mais goza dessa felicidade, e há almas tão felizes após a Comunhão que os seus próprios corpos se ressentem.
Enfim, os bem-aventurados participam do poder de Deus. Ora, aquele que comunga com um grande desejo de unir-se a Jesus, não experimenta mais que um soberano desprezo por tudo quanto não é digno de suas afeições. Domina tudo quanto é terrestre: é o verdadeiro poder. É então que a Comunhão faz subir a alma para Deus. Define-se a oração: uma ascensão de nossa alma para Deus. Mas que é a prece comparada à Comunhão? Como essa ascensão de pensamentos, de desejos, acha-se distante da ascensão sacramental em que Jesus nos eleva com Ele até o seio de Deus!
A águia, para habituar seus filhotes a voar nas mais altas regiões, apresenta-lhes o alimento, mantendo-se muito acima deles e, subindo cada vez mais à medida que se aproximam, faz com que subam insensivelmente até os astros.
Assim Jesus, Águia divina, vem a nós, traz-nos o alimento de que necessitamos, depois sobe e convida-nos a segui-lo. Cumula-nos de doçuras, para nos fazer desejar a felicidade do Céu; familiariza-nos com o pensamento do Céu.
Não reparais que, ao possuir Jesus no coração, desejais o paraíso e desprezais todo o resto? Desejaríeis morrer imediatamente a fim de estar mais depressa unido a Deus para sempre. Quem comunga raras vezes, não pode desejar ardentemente a Deus, e tem medo da morte. No fundo, este pensamento não é mau; mas se pudéssemos ter a certeza de ir imediatamente ao Céu, ah! não quereríeis permanecer um quarto de hora mais sobre a terra! Em um quarto de hora no Céu, testemunhareis a Deus mais amor e mais o glorificareis que durante a mais longa vida.
Assim, pois, a Comunhão nos prepara para o Céu. Que graça morrer após ter recebido o santo Viático! Sei que a contrição perfeita nos justifica e nos dá direito ao Céu; mas como deve ser bem melhor ir em companhia de Jesus, e ser julgado por Seu amor, unido ainda, por assim dizer, a Seu Sacramento de amor! Assim, a Igreja quer que seus sacerdotes administrem o santo Viático, até no último momento, ao penitente disposto, ainda que já houvesse perdido o uso dos sentidos; tanta questão faz essa boa Mãe de que os seus filhos partam bem providos para essa terrível viagem!
Peçamos muitas vezes a graça de receber o santo Viático antes de morrer: será o penhor de nossa eterna felicidade; e assegura São Crisóstomo, no livro do Sacerdócio, que os anjos esperam, à saída do corpo, as almas dos que acabam de comungar, em atenção ao divino Sacramento, eles as rodeiam e acompanham como satélites até o trono de Deus.


Fonte: Blog São Pio V

Da hediondez da imodéstia dentro do Santo Templo - São Leonardo de Porto Maurício

 
 
Exemplos para as pessoas de categoria.


Uma mulher, que entra na Igreja com um traje espaventoso, atrai todos os olhares, e queira Deus não atraia também os corações, arrebatando ao Senhor as devidas adorações. Não é preciso excitar estas pessoas a assistir todos os dias à Santa Missa; já são demais levadas a freqüentar as igrejas. O importante será fazer-lhes compreender com que modéstia e respeito devem portar-se a casa de Deus, especialmente quando se celebra a Santa Missa. Tanto mais me edificam senhoras da nobreza e princesas que só aparecem ante aos altares vestidas simplesmente, sem luxo nem elegâncias refinadas, quanto me escandalizam certas pretensiosas que, com seus penteados ridículos e ares de atrizes, assumem poses de deusas no lugar santo.

A bem-aventurada Ivete teve, certo dia, uma visão, que devia inspirar a essas pessoas o temor respeitoso da à Santa Missa. Ao assistir à Santa Missa viu essa nobre flamenga um espetáculo terrível. Perto dela estava uma dama distinta, cujo olhar se fixava aparentemente no altar; mas não era para seguir o Santo Sacrifício, nem para adorar o Santíssimo Sacramento que ia receber, e sim, para satisfazer uma paixão impura. Em volta dela estavam um grande número de demônios que dançavam e se expandiam em demonstrações de regozijo. Quando ela se levantou para se dirigir à mesa sagrada, uns lhe seguraram a cauda do vestido, outro lhe ofereceu o braço enquanto outros lhe faziam cortejo e serviam-lhe como a sua senhora. No momento em que o sacerdote descia do altar com a Santa Hóstia na mão a fim de dar a comunhão àquela infeliz, pareceu a Ivete que o Salvador abandonava as santas espécies e volvia ao Céu, repugnando-Lhe entrar num coração assim rodeado de espíritos das trevas.

Aterrorizada por semelhante cena, a bem-aventurada Ivete dirigia humildes preces a Nosso Senhor. E Ele revelou-lhe a causa, fazendo-lhe ver que aquela mulher alimentava uma paixão desordenada por uma pessoa que se achava próxima do altar, e que durante toda a Santa Missa, ao invés de se ocupar dos Santos mistérios, contemplava-a com olhares impuros, desejando antes lhe agradar que agradar a Deus. Por isso rodeavam-na os demônios e faziam-lhe o cortejo.

Dir-me-eis que não sois do número dessas infelizes criaturas, e eu creio de boa vontade. Se, entretanto, ides à Igreja com certos trajes escandalosos, mereceis todas as censuras. Transformeis o templo sagrado em covil de ladrões, pois roubais a Deus a honra, pelas distrações que provocais aos sacerdotes, aos ministros, a todo o povo.

Por favor, considerai e tomai a resolução de imitar Santa Isabel da Hungria. Para assistir à Santa Missa, ela se dirigia com grande pompa à Igreja. Mas, para assistir ao Santo Sacrifício tirava da cabeça a coroa, os anéis dos dedos, depunha seus ornamentos e cobria-se com um véu, ficando em atitude tão modesta que nunca foi vista desviar sequer os olhos. Tudo isso agradou de tal modo a Deus, que Ele quis manifestá-lo a todos: durante a Santa Missa a Santa aparecia envolta de tal claridade que se velavam de deslumbramento os olhos dos assistentes; parecia-lhes contemplar um anjo do Paraíso.

Imitai exemplo tão ilustre, certos de que agradareis a Deus e aos homens, e que a Santa Missa será para vós de imenso proveito para esta vida e para a outra.


(São Leonardo de Porto Maurício. Excelências da Santa Missa. Ps. 66 e 67)
Fonte: Blog São Pio V

Comentário ao Evangelho do dia (06/02) feito pelo Papa Francisco



Mensagem para o Dia mundial das missões 2013 (trad. © coyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)


«Deu-lhes poder sobre os espíritos malignos»

Vivemos um momento de crise que toca vários sectores da existência humana, não só o da economia, das finanças, da segurança alimentar, do ambiente, mas também o do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. Também as relações humanas são marcadas pelas tensões e conflitos que provocam insegurança e dificuldade para encontrar o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem envolvidos por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar com coragem a cada realidade o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio da força do amor de Deus, que é capaz de vencer as trevas do mal e de nos conduzir para o caminho da bem. O homem do nosso tempo tem necessidade de uma luz segura que ilumine o seu caminho, e que só o encontro com Cristo pode dar. Levemos a este mundo, com o nosso testemunho, com amor, a esperança dada pela fé!

O carácter missionário da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito uma vez mais – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma Organização Não Governamental (ONG); é uma comunidade de pessoas que, animadas pela acção do Espírito Santo, viveram e vivem o espanto do encontro com Jesus Cristo, desejando partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem da salvação que o Senhor nos trouxe. É o próprio Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho. Queria a todos encorajar a tornarem-se anunciadores da Boa Notícia de Cristo. 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (05/02) feito pelo Beato João Paulo II



(1920-2005), papa
Exortação apostólica «Redemptoris custos», § 22 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)


«Não é Ele o carpinteiro?»

A expressão quotidiana do amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. […] Aquele que era designado como o «filho do carpinteiro» tinha aprendido o ofício de seu «pai» putativo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José, o carpinteiro. […] O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, ele foi acolhido no mistério da Incarnação e também foi como que redimido de maneira particular. Graças à sua oficina, na qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.

No crescimento humano de Jesus «em sabedoria, em estatura e em graça» teve uma parte notável a consciência profissional, dado que «o trabalho é um bem do homem», que «transforma a natureza» e torna o homem, «em certo sentido, mais homem».

A importância do trabalho na vida do homem exige que se conheçam e assimilem todos os seus conteúdos para ajudar os demais homens a aproximarem-se, através dele, de Deus, Criador e Redentor, e a participarem nos Seus desígnios salvíficos quanto ao homem e quanto ao mundo; e ainda, a aprofundarem a sua vida e amizade com Cristo tendo, mediante a fé vivida, uma participação no seu tríplice múnus: de Sacerdote, de Profeta e de Rei. Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, na qual cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado. 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (04/02) feito pelo Beato João Paulo II



(1920-2005), papa
Discurso de 2/4/1987 aos jovens do Chile, 4.6


«Levanta-te!»

Amados jovens, […] só Cristo pode dar a verdadeira resposta a todas as vossas dificuldades! O mundo precisa da vossa resposta, uma resposta pessoal às palavras, cheias de vida, do Senhor — «sou Eu que te digo: levanta-te!» Assim, vemos como, nas situações mais penosas e difíceis, Jesus sai ao encontro da humanidade. O milagre realizado na casa de Jairo mostra-nos o seu poder sobre o mal. Ele é o Senhor da vida, o vencedor da morte. […] Buscai a Cristo! Contemplai a Cristo! Vivei em Cristo! É esta a minha mensagem: «Que Jesus seja a pedra angular (cf Ef 2,20) da vossa vida e da civilização nova que, em generosa e compartilhada solidariedade, haveis de construir. Não pode haver autêntico crescimento humano na paz e na justiça, na verdade e na liberdade, se Cristo não estiver presente com a sua força salvadora» [Mensagem para as II Jornadas Mundiais da Juventude, 30/11/1986, 3].

O que quer dizer construir a vida em Cristo? Quer dizer deixar-se comprometer pelo seu amor, um amor que exige coerência de comportamento e que a conduta de cada um se adapte à doutrina e aos mandamentos de Jesus Cristo e da sua Igreja; um amor que enche a nossa vida duma felicidade e duma paz que o mundo não consegue dar (cf Jo 14,27), apesar de tanto precisar dela. Não tenhais medo das exigências do amor de Cristo. Pelo contrário, temei antes a pusilanimidade, a ligeireza, o comodismo, a procura do próprio interesse, o egoísmo, tudo aquilo que queira calar a voz de Cristo que, dirigindo-Se a cada um e a cada uma de vós, insiste: «Sou Eu que te digo: levanta-te!» (Mc 5,41).

Contemplai a Cristo com valentia, meditando na sua vida através da leitura sossegada do Evangelho, dirigindo-vos a Ele com confiança na intimidade da vossa oração e nos sacramentos, em especial na Sagrada Eucaristia. […] Se vos dirigirdes a Cristo, ouvireis igualmente, e no mais íntimo da vossa alma, os rogos e as solicitações do Senhor que continua a dirigir-Se a vós, repetindo-vos sem cessar: «Sou Eu que te digo: levanta-te!» 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (02/02) feito por Beato Guerric de Igny




(c. 1080-1157), abade cisterciense
1º Sermão para a Purificação, 3-5; SC 166


«Luz para se revelar às nações»

Dou graças contigo e partilho a tua alegria, ó cheia de graça (Lc 1,28): tu trouxeste ao mundo a Misericórdia que eu recebi. Foste tu que preparaste este círio que recebo hoje nas mãos. Foste tu que forneceste a cera para esta chama […], quando revestiste de uma carne imaculada o Verbo imaculado, tu, sua Mãe imaculada.

Vamos, meus irmãos! Eis que este círio brilha entre as mãos de Simeão. Vinde tomar a luz, vinde acender os vossos círios, isto é, as lâmpadas que o Senhor quer ver-vos segurar entre as mãos (Lc 12,35): «O que olha para Ele estará radiante» (Sl 33,6). Assim, em vez de apenas segurares uma chama, tu próprio serás uma chama, brilhando no interior e no exterior, para ti e para o teu próximo. […] Jesus, que brilha entre as mãos de Simeão, iluminará a tua fé, fará brilhar o teu exemplo, sugerir-te-á a palavra adequada, exaltará a tua oração, purificará a tua intenção. […]

E quando a lâmpada desta vida se extinguir, a luz da vida que não pode apagar-se levantar-se-á para ti, em quem brilham tantas luzes, e será para ti «mais brilhante do que o meio-dia» (Jb 11,17). No momento em que pensavas extinguir-te, «levantar-te-ás como a estrela da manhã» (ibid) e «as tuas trevas tornar-se-ão como o meio-dia» (Is 58,10). E «não mais terás necessidade do sol para te iluminar nem da luz para te alumiar; o Senhor será a tua luz eterna» (Is 60,19), porque a chama da nova Jerusalém é o Cordeiro (Ap 21,23), a quem sejam dados «louvor e glória para todo o sempre! Amen» (Ap 7,12 Vulg).


Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (01/02) feito por Santa Faustina Kowalska



(1905-1938), religiosa
Diário (Fátima, 2003), 1322

«Porque sois tão medrosos?»

Vagueia, da minha vida, a barca,
Entre as sombras da noite e a escuridão
E de terra não vejo marca,
Encontro-me num mar de imensidão.

A menor procela me pode afundar,
Mergulhando meu barco no turbilhão;
Se, ó Deus, por mim não estivésseis a velar,
A cada instante da vida, a cada ocasião.

Entre o estrondo das ondas, ululante
Navego tranquila e como quem confia,
E olho, infantil, para o mais distante,
Porque Vós, ó Jesus, sois o meu Guia.

À minha volta o terror do mar e o pavor
Mais que horror da minh’alma, a serenidade.
Porque quem convosco está não perecerá, Senhor,
Disso me assegura a divina caridade.

Cercam-me perigos, muitos em voragem,
Mas não temo, olho para o céu estrelado
E navego com alegria e coragem,
Como convém a um coração purificado.

Se a barca da minha vida vai em serenidade,
É, acima de tudo, por uma razão:
Por serdes Vós, ó Deus, o meu guardião.
Eis meu testemunho de inteira humildade. 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (31/01) feito por São Pedro Crisólogo



(c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 98; CCL 24A, 602


«Estende tanto os ramos, que as aves do céu se podem abrigar à sua sombra»

 
Como diz Cristo, o Reino de Deus é como um grão de mostarda. […] Cristo é o Reino: como um grão de mostarda, foi deitado à terra num jardim, o corpo da Virgem. Cresceu e tornou-Se a árvore da cruz que cobre toda a terra. […] Cristo é o Reino, pois nele reside toda a glória do seu reino. E Cristo é o homem, pois o homem na sua totalidade é renovado nele. Cristo é o grão de mostarda, o instrumento de que Deus Se serve para fazer descer toda a sua grandeza em toda a pequenez do homem. Ele próprio Se tornou todas as coisas, para renovar todos os homens nele. Enquanto homem, Cristo recebeu o grão de mostarda que é o Reino de Deus […]; enquanto Deus, possuía-o desde sempre. Ele deitou a semente à terra no seu jardim. […]

O jardim é esta terra cultivada que se estendeu por todo o mundo, lavrada pela charrua da Boa Nova, encerrada pelos limites da sabedoria; os Apóstolos penaram para arrancar todas as ervas daninhas. Dá gosto contemplar as jovens plantas que são os crentes, os lírios que são as virgens e as rosas que são os mártires: flores que dão constantemente o seu perfume.

Cristo semeou, pois, o grão de mostarda no seu jardim. A semente criou raízes quando Ele prometeu o seu Reino aos patriarcas, germinou com os profetas, cresceu com os Apóstolos e tornou-se a árvore imensa que estende os seus longos ramos sobre a Igreja, e lhe prodiga os seus dons. […] Toma as asas de prata da pomba de que fala o Profeta (Sl 67,14). […] Levanta voo para usufruir de um repouso sem fim, fora do alcance dos laços (Sl 90,3), por entre folhagens magníficas. Sê suficientemente forte para assim levantares voo, e vai habitar em segurança nesta vasta morada. 
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (30/01) feito por São Francisco de Assis



(1182-1226), fundador da Ordem dos Frades Menores
Admoestações, 19-22, 28


«Àquele que tem, será dado; e ao que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado»

 
Feliz o servo que atribui todos os seus bens ao Senhor. Aquele que, pelo contrário, reivindica uma parte para si mesmo, esse esconde dentro de si o dinheiro do Senhor Deus, e o que julga possuir ser-lhe-á tirado (Mt 25,18.28).

Feliz o servo que, quando é felicitado e homenageado pelos homens, não se tem por melhor do que quando o tratam como pessoa vil, simples e desprezível. Porque quanto vale o homem diante de Deus, é isso que ele vale na realidade, e nada mais. […]

Feliz o religioso que não sente prazer nem alegria a não ser nas obras do Senhor, e com elas leva os homens ao amor de Deus com toda a alegria. […] Feliz o servo que não fala para se enaltecer, que não exibe o seu valor e que não está sempre ansioso por tomar a palavra, mas que fala e responde com sabedoria e reflexão. Ai do religioso que, em vez de guardar em seu coração o bem que o Senhor lhe faz, e em vez de deixar que os outros o vejam através das suas obras, o quer mostrar às pessoas por palavras para obter elogios. Com isso recebe a insignificante recompensa que cobiçava, mas os que o ouvem pouco fruto recolhem. […]

Feliz o servo que arrecada, mas no céu (Mt 6,20), o tesouro das graças que o Senhor lhe oferece, e que não anda a apregoá-las aos homens para deles obter recompensa, porque o próprio Altíssimo manifestará as suas obras a quem Lhe aprouver. Feliz o servo que guarda em seu coração os segredos do Senhor. 
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (29/01) feito por São Cesário de Arles



(470-543), monge, bispo
Sermões ao povo, n°6 passim; SC 175


«Produziu a trinta, a sessenta e a cem por um»

 
Irmãos bem amados, quando vos apresentamos uma coisa útil para a vossa alma, que ninguém tente desculpar-se dizendo: «Não tenho tempo para ler, e é por isso que não posso conhecer os mandamentos de Deus nem observá-los.» […] Evitemos as vãs tagarelices e as brincadeiras corrosivas […], e veremos se não temos tempo para consagrar à leitura da Sagrada Escritura. […] Quando as noites são mais longas, haverá alguém capaz de tanto de dormir, que não possa ler ou ouvir ler as Escrituras? […] Pois a luz da alma e seu alimento eterno não é senão a Palavra de Deus, sem a qual o coração não pode nem viver nem ver. […]

O cuidado da nossa alma é semelhante ao cultivo da terra. Assim como para cultivar a terra se arranca de um lado e se extirpa do outro até à raiz para semear o bom grão, o mesmo se deve fazer à nossa alma: arrancar o que é mau e plantar o que é bom; extirpar o que é prejudicial, transplantar o que é útil; desenraizar o orgulho e plantar a humildade; deitar fora a avareza e guardar a misericórdia; desprezar a imoralidade e amar a castidade. […]

Efectivamente, vós sabeis como se cultiva a terra. Em primeiro lugar, arrancam-se as silvas e atiram-se as pedras para longe, seguidamente lavra-se a própria terra, recomeça-se uma segunda vez, uma terceira, e finalmente […] semeia-se. Que seja assim na nossa alma: em primeiro lugar, arranquemos as silvas, ou seja os maus pensamentos; seguidamente retiremos as pedras, isto é, a malícia e a dureza. Por último, lavremos o nosso coração com o arado do Evangelho e a relha da cruz e, quebrado pela penitência, amolecido pela esmola e pela caridade, preparemo-lo para a semente do Senhor […], para que possa receber com alegria a semente da palavra divina e não dar apenas trinta, mas sessenta e cem vezes o seu fruto. 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (27/01) feito por Santo Ambrósio



(c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de Lucas, 7, 91-92; SC 52


O seu reino é indivisível e eterno

 
«Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar.» Uma vez que diziam que Ele expulsava os demónios por Belzebu, príncipe dos demónios, Jesus quis mostrar, com esta palavra, que o seu reino é indivisível e eterno. Com razão respondeu a Pilatos: «O meu reino não é deste mundo» (Jo 18,36). Portanto, os que não põem a sua esperança em Cristo, mas pensam que os demónios são expulsos pelo príncipe dos demónios, esses, diz Jesus, não pertencem a um reino eterno. […] Quando a fé se rasga, o reino dividido não pode manter-se. [...] Se o reino da Igreja vai durar eternamente é porque a sua fé não está dividida e o seu corpo é um só: «há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos» (Ef 4,5-6).

Que loucura sacrílega! O Filho de Deus encarnou para esmagar os espíritos impuros, arrancar o espólio ao príncipe do mundo e dar aos homens o poder de destruir o espírito do mal (cf Lc 10,19), […] e eis que alguns pedem auxílio ao poder do demónio. No entanto, como diz Lucas, é pelo «dedo de Deus» (11,20) ou, como diz Mateus, pelo «Espírito de Deus» (12,28) que Jesus expulsa os demónios. Por aí entendemos que o Reino de Deus é indivisível, tal como um corpo é indivisível, uma vez que Cristo está à direita de Deus e o Espírito parece ser comparável ao seu dedo. […] «Porque é nele que habita realmente toda a plenitude da divindade» (Col 2,9). 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (26/01) feito por São Columbano



(563-615), monge, fundador de mosteiros
12ª Instrução espiritual, 2-3


«Aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz»

 
Cristo, digna-Te acender pessoalmente as nossas candeias, Tu que és o nosso doce Salvador; fá-las brilhar sem fim na tua morada e receber de Ti, luz eterna, uma luz indefectível. Que a tua luz dissipe as próprias trevas e, através de nós, faça recuar as trevas do mundo. Peço-Te portanto, Jesus, que acendas a minha candeia com a tua própria luz e que assim, com essa claridade, eu possa ver o Santo dos Santos, onde Tu, Pai Eterno dos tempos eternos, dás entrada nos pórticos desse templo imenso (cf Heb 9,11ss). Que, sob a tua luz, nunca deixe de Te ver e de dirigir para Ti o meu olhar e o meu desejo. Então, no meu coração só Te verei a Ti, e na tua presença a minha candeia ficará para sempre acesa e ardente.

Dá-nos a graça […], visto que batemos à tua porta, de Te manifestares a nós, Salvador cheio de amor. Compreendendo-Te melhor, que não tenhamos amor senão para Ti, só para Ti. Que sejas, noite e dia, o nosso único desejo, a nossa única meditação, o nosso pensamento contínuo. Digna-Te derramar em nós todo o amor necessário para que possamos amar a Deus como convém. Enche-nos do teu amor […] até que não saibamos amar-Te senão a Ti, que és eterno. Então as águas caudalosas do céu, da terra e do mar não poderão apagar em nós tão grande caridade, como lemos no Cântico dos Cânticos: «As águas caudalosas não conseguirão apagar o fogo do amor» (8,7). Que se realize em nós, pelo menos em parte, esse crescendo de amor, pela tua graça, Senhor Jesus. 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Comentário do Evangelho do dia (25/01) feito por São João Crisóstomo




(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
4ª Homilia sobre São Paulo, 1-2




«Que devo fazer, Senhor?»



Paulo, o bem-aventurado que hoje nos une, iluminou a Terra inteira. Ficou cego na hora do seu chamamento, mas essa cegueira fez dele um archote de luz para o mundo. Ele via para fazer o mal; na sua sabedoria, Deus cegou-o para lhe dar a luz, a fim de que fizesse o bem. Deus não lhe mostrou apenas o seu poder; revelou-lhe também o coração da fé que ele ia pregar, ordenando-lhe que fechasse os olhos, quer dizer, que afastasse os preconceitos e as falsas luzes da razão com vista a acolher a boa doutrina, a «tornar-se louco para ser sábio», como ele dirá mais tarde (1Cor 3,18). […]

Fervoroso, impetuoso, Paulo precisava de um travão enérgico para não ser arrastado pelo seu ímpeto e desprezar a voz de Deus. Então, Deus começou por reprimir esse impulso; apazigua a sua cólera infligindo-lhe a cegueira, e depois fala-lhe. Dá-lhe a conhecer a sua sabedoria insondável, para que reconheça Aquele que combatia e compreenda que já não pode resistir à sua graça. Não é a privação da luz que o cega; é a superabundância da luz […].

Deus escolheu bem o momento. Paulo é o primeiro a reconhecê-lo: «Quando aprouve a Deus – que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça – revelar o seu Filho em mim …» (Gal 1,15ss). Aprendamos pois, da boca do próprio Paulo, que nunca ninguém encontrou a Cristo sozinho. Foi Cristo quem Se revelou e Se deu a conhecer. Como diz o Salvador: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo 15,16).


Créditos: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Comentário do Evangelho do dia (23/01) feito por Santa Juliana de Norwich



(1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do amor divino, cap. 36


«Todos os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para Lhe tocarem»

 
Durante toda a nossa vida, quando, na nossa loucura, voltamos o olhar para o que é reprovável, Nosso 
Senhor toca-nos com ternura e chama-nos com grande alegria, dizendo na nossa alma: «Deixa o que amas, minha querida criança. Volta-te para mim, Eu sou tudo o que tu queres. Rejubila no teu salvador e na tua salvação.» Tenho a certeza de que a alma, tornada perspicaz pela acção da graça, verá e sentirá que Nosso Senhor opera assim em nós. Porque se esta obra diz respeito à humanidade em geral, nenhum homem em particular está dela excluído. […]

Além disso, Deus iluminou a minha inteligência e mostrou-me como realiza os milagres: «É sabido que realizei aqui em baixo muitos milagres impressionantes e maravilhosos, gloriosos e magníficos. O que fiz então, faço-o ainda continuamente, e fá-lo-ei nos tempos vindouros». Sabemos que qualquer milagre é precedido de sofrimentos, angústias e tribulações. Isso acontece para que tomemos consciência da nossa fraqueza e dos erros que cometemos por causa do nosso pecado e, através disso, nos tornemos humildes e nos voltemos para Deus, implorando o seu auxílio e a sua graça. Os milagres surgem em seguida: provêm do poder, da sabedoria e da bondade de Deus, e revelam a sua força e as alegrias do céu, tanto quanto é possível conhecê-las nesta vida passageira. Assim, a nossa fé torna-se mais forte e a nossa esperança cresce no amor. Eis porque agrada a Deus ser conhecido e glorificado através dos milagres. Ele quer que não fiquemos acabrunhados pela tristeza e pelas tempestades que se abatem sobre nós; isto acontece sempre antes dos milagres! 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Comentário do Evangelho do dia (20/01) feito por Beato Jan van Ruysbroeck



(1293-1381), cónego regular
Bodas Espirituais, prólogo 


«Aí vem o Noivo, ide ao seu encontro» (Mt 25,6)

 
Assim que chegou o tempo de Se compadecer dos sofrimentos da humanidade, a sua bem-amada, Deus enviou à terra o seu filho único, para esse palácio sumptuoso e glorioso templo que foi o seio da Virgem Maria. Aí desposou a nossa natureza e a uniu à sua pessoa a partir do sangue puríssimo da Virgem bem-aventurada. O anjo Gabriel publicou os banhos, a gloriosa Virgem Maria deu o seu consentimento e o sacerdote que celebrou as bodas foi o Espírito Santo. E foi assim que Cristo, nosso fiel Esposo, Se uniu à nossa natureza, nos visitou em terra estrangeira (Lc 1,78) e nos instruiu de maneira celeste e com fidelidade perfeita (Jo 6,68-69; 1Cor 24.30).

Penou e combateu contra o nosso inimigo como valoroso campeão e assim lhe anulou a devastação (Sl 80,14) e lhe arrebatou o prémio da vitória (Is 40,10). Com a sua morte destruiu a nossa morte, resgatou-nos com o seu sangue e nos libertou, no baptismo, pela água do seu lado (Jo 19,34). Pelos seus dons e os sacramentos que nos deu, fez-nos ricos (2Cor 8,9) a fim de que, ornados de todas as formas de virtude, saíssemos ao seu encontro, como nos diz no Evangelho (Mt 25,6) e O encontrássemos no palácio da sua glória para aí estarmos com Ele eternamente. 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano
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