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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (31/12) feito por Santo Agostinho

Bispo de Hipona (Norte de África), Doutor da Igreja
Sermão 293, 5 para a natividade de São João Baptista

«Vimos a Sua glória»

Cristo tinha de vir na nossa carne: não um outro, anjo ou embaixador, era Cristo Quem tinha de vir, em pessoa, para nos salvar (Is 35,4) [...]. Teve de nascer em carne mortal: eis pois um menino, deitado numa manjedoura, envolto em panos, alimentado ao peito, que havia de crescer com os anos e, por fim, de morrer cruelmente. Tantos testemunhos de profunda humildade. Quem nos dá tais exemplos de humildade? O Altíssimo.

Que grandeza é a Sua? Não a procures na terra, sobe à altura dos astros. Quando chegares às legiões dos anjos, ouvirás dizer: «Sobe mais alto, acima de onde estamos». Quando tiveres subido até aos Tronos, Dominações, Principados e Potestades (Col 1,16), ouvi-los-ás ainda dizer: «Sobe mais alto, que nós próprios somos ainda criaturas», «por Ele é que tudo começou a existir» (Jo 1,3). Eleva-te pois acima de todas as criaturas, de tudo o que foi formado, de tudo o que recebeu existência, de todos os seres que mudam, corporais ou incorporais, numa palavra, acima de tudo. A tua vista não alcança ainda tais alturas; é pela fé que tens de te elevar até lá, é a fé que te deve conduzir ao Criador [...]. Lá, contemplarás o Verbo, que era no princípio [...].

Ora esse Verbo que estava em Deus, esse Verbo que era Deus, por Quem todas as coisas foram feitas, sem Quem nada teria sido feito, e em Quem estava a vida, desceu até nós. Que éramos nós? Mereceríamos que Ele descesse até nós? Não, nós éramos indignos de que Ele tivesse compaixão de nós, mas Ele era digno de ter piedade de nós.

Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (28/12) feito por São Gregório de Nissa

Monge, bispo
Sermão da Natividade de Cristo; PG 46,1128 ss.

                                         Hoje começa o mistério da Paixão

«Com a notícia do nascimento do Salvador, Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele» (Mt 2,3). [...] É o mistério da Paixão, que aparecia já na mirra dos Magos; os recém-nascidos foram massacrados sem dó nem piedade. [...] O que significa esta matança de crianças? Por quê ousar crime tão horrendo? «É que, dizem Herodes e os seus conselheiros, um estranho sinal apareceu no céu; um sinal que garantiu aos Magos que chegara outro rei.» Entendes tu, Herodes, o que são estes sinais? [...] Se Jesus é senhor dos astros, não estará ao abrigo dos teus ataques? Julgas ter poder de vida e de morte, mas não tens nada a temer de criança tão terna. Se Deus O submeteu ao teu poder; por que conspiras contra ele? [...]


Mas deixemos o luto, «a queixa amarga de Raquel que chora os seus filhos» ─ porque hoje o Sol de Justiça (Mal 3,20) dissipa as trevas do mal e espalha a Sua luz sobre toda a natureza, Ele que assume a nossa natureza humana. [...] Nesta festa da Natividade «as portas da morte são destruídas, as barras de ferro estão quebradas» (Sl 107,16); agora, «abrem-se as portas da justiça» (Sl 118,19). [...] Já que por um homem, Adão, veio a morte, hoje, por um homem vem a salvação (Rom 5,18). [...] Depois da árvore do pecado está a árvore da bondade, a cruz. [...] Hoje começa o mistério da Paixão.

Créditos: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (27/12) feito por Rupert de Deutz

Monge beneditino
As obras do Espírito Santo, IV, 10; SC 165

  O discípulo que teve «o conhecimento do mistério de Deus: Cristo, em Quem estão escondidos  todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (Col 2,2-3)

De acordo com graça que fez com que Jesus o amasse e o fez inclinar-se sobre o Seu peito na Última Ceia (cf Jo 13,23), João recebeu com abundância os dons do entendimento e da sabedoria (Is 11,2) – o entendimento para compreender as Escrituras, e a sabedoria para escrever os seus próprios livros com arte admirável. Para dizer a verdade, não recebeu este dom no momento em descansou sobre o peito do Senhor, apesar de ter tocado o coração «em que estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (Col 2,3). Quando João diz que, ao entrar no túmulo, «viu e acreditou», reconhece que «ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos» (Jo 20,9). Como os outros apóstolos, João recebeu plenamente a sua medida quando o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos [no Pentecostes], quando a graça foi dada a cada um «segundo a medida do dom de Cristo» (Ef 4,7). [...]


O Senhor Jesus amou este discípulo mais do que os outros [...] e abriu-lhe os segredos do céu [...] para fazer dele o escrivão do mistério profundo sobre o qual o homem não é capaz de falar só por si mesmo: o mistério do Verbo, da Palavra de Deus, do Verbo que Se fez carne. É o fruto desse amor. Mas, mesmo amando-o, não foi a ele que Jesus disse: «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja» (Mt 16,18). [...] Embora amasse todos os Seus discípulos, e especialmente Pedro, com um amor espiritual e da alma, Nosso Senhor amou João com um amor do coração. [...] Na ordem do apostolado, Simão Pedro recebeu o primeiro lugar e as «chaves do reino dos céus» (Mt 16,19); João, recebeu outro legado: o Espírito de entendimento, «uma alegria e uma coroa de júbilo» (Sir 15,6).

Créditos: Evangelho Quotidano

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (26/12) feito por Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Das Weihnachtsgeheimnis

                  «A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam» (Jo 1,5)

O Menino da manjedoura estende as mãozinhas, e o Seu sorriso já parece exprimir o que os lábios do homem pronunciarão mais tarde: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos» (Mt 11,28). [...] «Segui-Me!», dizem as mãos da criança, como dirão mais tarde os lábios do homem. Foi assim que o jovem discípulo que o Senhor amava foi chamado e faz agora parte do cortejo do presépio. São João, um jovem de coração puro, deixou tudo sem perguntar onde nem por quê: abandonou o barco de seu pai (Mt 4,22) e seguiu o Senhor por todos os Seus caminhos, até ao Gólgota (Jo 19,26).


«Segue-Me!» O jovem Estêvão também ouviu este chamamento, e seguiu o Mestre na Sua luta contra os poderes das trevas, contra a cegueira e a teimosa recusa em acreditar, dando testemunho d'Ele pela sua palavra e pelo seu sangue. Estêvão caminhou segundo o Seu espírito, o espírito de amor que combate o pecado mas ama o pecador, e que, mesmo na morte, defende o assassino diante de Deus.


Aqueles que se ajoelham em torno do presépio são filhos da luz: frágeis santos inocentes, pastores cheios de fé, reis humildes, Estevão, o discípulo fervoroso, e João, o apóstolo do amor, todos eles seguindo o chamamento do Mestre. Diante deles, na dureza da noite e na cegueira inconcebível, estão os doutores da Lei que, sabendo o tempo e o lugar onde nasceria o Salvador (Mt 2,5), não partiram para Belém, e o rei Heródes que queria matar o Senhor da vida. Perante a Criança da manjedoura, os espíritos dividem-se. Ele é o Rei dos reis, o Senhor da vida e da morte; Ele diz: «Segue-Me» e quem não é por Ele é contra Ele (Mt 12,30); e também no-lo diz a nós, colocando-nos na situação de escolhermos entre a luz e as trevas.

Créditos: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Santa Edith Stein, O Mistério do Natal, Parte 3.3





3.3 - SEJA FEITA A TUA VONTADE
Com isto estamos tocando no terceiro sinal
da filiação divina: Ser um com Deus, foi o primeiro. Que
todos sejam um em Deus, foi o segundo. O terceiro:
Nisto reconheço que vós me amais, se observardes os
meus mandamentos”.
Ser filho de Deus significa: andar apoiado na
mão de Deus, na vontade de Deus; não fazer a vontade
própria, colocar todo cuidado e toda a esperança
nas mãos de Deus, não se preocupar consigo e com seu
futuro. Nisto consiste a liberdade e a alegria dos filhos
de Deus. Tão poucos as possuem, mesmo entre os
realmente piedosos, mesmo entre os heroicamente dispostos
ao sacrifício. Sempre andam encurvados sob o
peso dos cuidados e obrigações.
Todos conhecem a parábola dos pássaros do
céu e dos lírios do campo. Mas quando encontram uma
pessoa que não tem herança, nem pensão e nem seguro
e, mesmo assim, vive tranqüilo quanto ao seu futuro,
aí meneiam a cabeça como se fosse algo incomum.
Contudo, quem esperar do Pai do céu, que
cuide a toda hora de seu dinheiro e da condição de
vida que ele gostaria de ter, por certo, vai se enganar.
A confiança em Deus vai se firmar inabalavelmente,
quando incluir a disposição de aceitar tudo das mãos
do Pai. Pois, somente Ele sabe o que é bom para nós.
E, se a necessidade e a privação forem mais convenientes
do que uma renda folgada e segura, ou insucesso e
humilhação, melhor do que honra e reputação, então
se deve estar preparado para isso. Se assim fizermos,
podemos viver despreocupados com o futuro e com o O “seja feita a vossa vontade”, em toda a sua amplitude, deve ser o fio condutor da vida cristã. Ele
deve nortear o correr do dia, da manhã até a noite, o
correr do ano e de toda a vida. Será a única preocupação
do cristão. Todos os outros cuidados, o Senhor assume.
Mas, esta única preocupação pertence a nós, enquanto
vivermos. Objetivamente, não somos definitivamente
firmes para permanecermos sempre nos caminhos
de Deus. Assim como os primeiros pais perderam
a filiação divina pelo distanciamento de Deus,
assim cada um de nós está sempre entre o nada e a
plenitude da vida divina. Mais cedo ou mais tarde isto
se torna também uma experiência subjetiva. No começo
da vida espiritual, quando começamos a nos entregar
à direção de Deus, é que sentimos bem forte e
firme a mão que nos conduz; de forma clara aparece
para nós, o que devemos fazer ou deixar de fazer. Mas
isto não é sempre assim. Quem pertence a Cristo,
deve viver a vida de Cristo. Deve-se amadurecer até à
idade adulta de Cristo, ele deve iniciar a via-sacra para
o Getsêmane e o Gólgota. E todos os sofrimentos que
vêm de fora, são nada comparados com a noite escura
da alma, quando a luz divina cessa de clarear e a voz
do Senhor se cala. Deus está presente, porém, escondido
e silencioso. Por que acontece isto? São os mistérios
de Deus, dos quais falamos, ele não se deixa penetrar
completamente. Só podemos vislumbrar algumas
facetas desse mistério e, por isso, Deus se fez homem;
para voltar e fazer-nos participar da sua vida. Esse é o
começo e a meta final. Mas, no meio se encontra ainda
outra coisa. Cristo é Deus e homem e, quem quer partilhar
a sua vida, deve fazer parte de sua vida divina e
humana. A natureza humana que Ele aceitou, deu-lhe
a possibilidade de sofrer e morrer; a natureza divina,
que Ele possui desde toda a eternidade, deu à sua paixão e morte um valor infinito e uma força redentora.
A paixão e morte de Cristo continuam no seu corpo
místico e em todos os seus membros. Todo homem
tem que sofrer e morrer. Porém, se ele for membro
vivo no corpo de Cristo, então, o seu sofrimento e sua
morte adquirem pela divindade de seu corpo, força
salvadora. Esta é a causa objetiva por que todos os santos
desejam sofrer. Não se trata de um prazer doentio
de sofrer. Aos olhos da razão natural, isto pode parecer
perversidade. À luz do mistério da redenção, contudo,
isto se revela de maneira sublime. E assim a pessoa -
ligada - a Cristo, mesmo na noite escura do distanciamento
subjetivo de Deus e abandono, persistirá; talvez
a divina providência permita o tormento, para libertar
a pessoa objetivamente aprisionada. Por isto:
“Seja feita a Vossa vontade”, mesmo quando na noite
mais escura.

Santa Edith Stein, O Mistério do Natal, Editora da Universidaade do Sagrado Coração

Exultai todos os cristãos: é o Natal de Cristo!


 

Sto Agostinho
Celebremos o Natal de Cristo com afluência e solenidade devida. Rejubilem-se os homens, rejubilem-se as mulheres: nasceu Cristo homem, nasceu de uma mulher e ambos os sexos são honrados. Passe, pois, já para o segundo homem, o que no primeiro foi condenado. Inoculara-nos a mulher a morte; nova mulher os deu à luz a vida. Nasceu em semelhança da carne do pecado pela qual seria purificada a carne do pecado.
Rejubilai-vos, jovens clérigos, que escolhestes em seguir de modo particular a Cristo, que não procurastes matrimônio: não veio a vós pelo matrimônio aquele a quem, segundo, encontrastes.
Exultai, virgens consagradas; para vós, a Virgem deu à luz aquele que desposastes sem alteração da virgindade, e que não podeis perder o vosso amado nem concebendo nem dando à luz. Exultai, justos, é o Natal do justificador. Exultai, enfermos, e doentes: é o natal do que dá saúde. Exultai, cativos, servos, é o Natal do Senhor. Exultai, livres: é o Natal do libertador. Exultai, todos os cristãos, é o Natal de Cristo.
Cristo, nascido de mãe, preparou este dia, desde séculos, e foi quem, nascido do Pai, criou todos os séculos. Em seu Natal divino, não pôde ter mãe alguma, nem no natal humano, pai algum. Enfim, nasceu Cristo tanto de pai quanto de mãe, e sem pai nem mãe: Deus, por parte de Pai; homem, por parte de Mãe; Deus, sem mãe; homem, sem pai. Quem, pois, narrará sua geração? (Is 53,8) ou aquela, sem o tempo, ou esta, sem sêmen; aquela, sem início, esta, sem exemplo; aquela, que nunca deixou de ser; esta, que nem antes nem depois existiu; aquela que não tem fim; esta que tem seu início onde tem seu fim. Justo, pois, que os profetas pressagiassem e que os céus e os anjos anunciassem tão grande nascimento.
Foi posto em manjedoura quem encerrava o mundo; e era criancinha e o Verbo. Aquele que os céus não encerram, o ventre de uma mulher levava. Ela governava nosso Rei; levava ela aquele em quem existimos, aleitava nosso pão. Ó manifesta fraqueza e admirável humildade em que assim se ocultou toda a divindade! O poder governava a Mãe, a quem se achava submetido; e aquele que se alimentava aos peitos dela, a alimentava da verdade.
Complete em nós seus dons aquele que não desprezou nossos primórdios; e faça-nos ele próprio filhos de Deus, que por nós quis tornar-se filho do homem.
Sto Agostinho, Sermão CLXXXIV, 2-4, Ofício Marial.
 
Fonte: GRAA

Comentário ao Evangelho do dia (25/12) feito por Beato Guerric de Igny

Abade cisterciense
5º sermão de Natal

            «E o Verbo fez-Se homem e veio habitar connosco. E nós contemplámos a Sua glória»

Hoje, meus irmãos, foi para ouvir a palavra de Deus feito homem que vos reunistes. Eis que Deus nos prepara melhor: hoje é-nos dado, não só escutar, mas também ver a Palavra de Deus. Vê-la-emos se formos a Belém ver essa Palavra, essa nova que o Senhor fez e nos apresenta. [...] É mais difícil acreditar naquilo que escutamos sem ver. [...] Assim, Deus, que Se molda à nossa fraqueza, depois de ter tornado a Palavra audível, torna-Se hoje visível e mesmo palpável. Foi assim que as primeiras testemunhas do mistério puderam afirmar: «O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida, isso vos anunciamos» (1Jo 1,1.3). [...]


Se houver no meio de nós algum irmão que seja ainda lento a crer, não quero fatigar-lhe os ouvidos mais tempo com a minha palavra sem valor. Que também ele vá a Belém! Que contemple com os seus olhos Aquele que os anjos desejam ver (cf 1Pe 1,12); o Verbo de Deus que o Senhor nos revela, a Palavra de Deus «viva e eficaz» (Heb 4,12) repousa numa manjedoura. Se a fé ilumina o olhar que contempla, haverá espectáculo mais admirável? [...] «É uma palavra fiel e digna de toda a confiança» (1Tm 1,15) a tua Palavra omnipotente, Senhor. Descida com grande profundidade de silêncio do alto da Tua morada real (Sb 18,14-15), até uma manjedoura, a Tua Palavra fala-nos agora melhor através do Seu próprio silêncio. [...]


Vós também, irmãos, encontrareis hoje o Menino, a Palavra silenciosa, envolvido em panos, pousado no berço do altar. Que a banalidade do que O envolve não perturbe o olhar da vossa fé quando contemplardes o Seu corpo adorável nas espécies sacramentais. Tal como Maria outrora O envolveu em panos, assim também a graça e a sabedoria de Deus envolvem hoje a majestade oculta da Palavra de Deus.

Créditos: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Vigília da Natividade


S. Boaventura, Bispo
O que nela foi concebido é do Espírito Santo (Mt 1,20).
Embora não se possa encontrar na natureza exemplo adequado para o que é acima da natureza, contudo vemos de modo diverso originar-se o esplendor da luz, o broto da vide, a flor da haste da árvore.
O raio se origina da luz, que é da mesma natureza, mas não dizemos que a luz sejam raios e vice-versa; assim, é o Filho, do Pai, dado que é substancial ao Pai, mas nem o Filho é o Pai, nem o Pai é o Filho. Por isso é que, relembrando a Igreja essa gloriosa natividade, canta: Ó Oriente, esplendor da luz eterna. (Antífona do Advento).
Nasce o broto na vide por isso que a fecunda e vitaliza, mas não a abre nem a viola, nem lhe altera a integridade. Assim nasce Deus na virgem a ponto de a cumular, fecundar, santificar, mas sem a dilacerar, sem a violar, sem a macular. Por isso, ao comparar o que dela nasceu ao broto, diz o Senhor pelo Profeta: "A Davi suscitarei rebento justo; (Jer 23,5) e, vós, ó céus, lá do alto orvalhai, e chovam as nuvens o justo; abra-se a terra e brote o Salvador. (Is 45,8).

Origina-se a flor do ramo ou da árvore, de modo que nem altera o ramo mas o melhora: nem o dilacera, senão que o adorna. Assim nasceu da Virgem, não abrindo nem alterando, pois essa porta será fechada para sempre, não se abrirá e varão não passará por ela (Ez 44,2), diz Ezequiel, mas fecundando e ornando. Por isso se compara seu nascimento ao desabrochar da flor: Sairá haste da raiz de Jessé e uma flor se desprenderá dela. (Is 11,1).
Assim, pois, o dela nascido, nasceu de Deus Pai, antes de estar no ventre, assim como o esplendor, da luz; nascido do ventre da Virgem Mãe, assim como o broto, da videira; nascido também do ventre, assim como a flor nasce do ramo, da haste ou da árvore.
No primeiro nascimento, nasceu e sempre nasce de seu Pai, segundo a natureza divina; no segundo e no terceiro, nasceu da Virgem Mãe, segundo a natureza humana; no segundo e no terceiro, se nos mostrou na terra para remédio; o primeiro se nos reserva no céu, como prêmio. O segundo nascimento se refere ao dia da presente solenidade, em que lemos acerca de seu nascimento; o terceiro diz respeito ao da solenidade de amanhã, em que cantamos: Nasceu-nos um menino; o primeiro se refere ao dia da eterna solenidade.
S. Boaventura, Vigília da Natividade, Ofício Marial.
 
Fonte: Blog GRAA

domingo, 23 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (23/12) feito por Beato Guerric de Igny

Abade cisterciense (c. 1080-1157),
2º Sermão para o Advento, §§1-2; SC 166

                       «A voz de meu amado! Ei-lo que chega, correndo pelos
                                 montes, saltando sobre as colinas» (Ct 2,8)

«Eis o rei que vem: acorramos a receber o nosso Salvador» (liturgia do Advento). Bem dizia Salomão que «água fresca para boca sedenta, assim é uma boa nova vinda de terra longínqua» (Pr 25,25). Sim, é bom mensageiro aquele que anuncia o advento do Salvador, a reconciliação do mundo, os bens do mundo futuro. «Que formosos são sobre os mon¬¬tes os pés do mensageiro que anun¬cia a paz, que apregoa a boa-nova e que proclama a salvação!» (Is 52,7). [...]

Tais mensageiros são uma água fresca e uma bebida salutar para a alma sedenta de Deus; na verdade, aquele que anuncia o advento do Senhor ou os Seus mistérios dá-nos a beber água tirada com alegria das fon¬tes da salvação (Is 12,3). É por isso que me parece que, àquele que traz tal anúncio, [...] a alma responde com as palavras de Isabel, que fora saciada com o mesmo Espírito: «E donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação», o meu espírito exultou de alegria no meu coração, impaciente por ir ao encontro do Deus, seu Salvador.

Na verdade, meus irmãos, é de espírito exultante que temos de ir ao encontro de Cristo que vem. [...] «Meu Salvador e meu Deus!» (Sl 42,5) Com que condescendência saúdas os Teus servos e, mais ainda, os salvas! [...] Tu deste-nos a salvação, não apenas por palavras de paz, mas pelo beijo da paz, isto é, unindo-Te à nossa carne; e salvaste-nos pela Tua morte na cruz.» Que o nosso espírito exulte, pois, num transporte de alegria, que corra a receber o seu Salvador que vem de longe, aclamando-O com estas palavras: «Senhor, salva-nos! Senhor, dá-nos a vitória! Bendito o que vem em nome do Senhor!» (Sl 117,25-26).

Créditos: Evangelho Quotidiano

sábado, 22 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (22/12) feito por São Beda, o Venerável

Monge, Doutor da Igreja- (c. 673-735)
Exposição sobre o Evangelho segundo São Lucas (do Ofício de Leitura de 22 de Dezembro)

                                              «Acolheu a Israel, Seu servo»

E Maria disse: «A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador». O Senhor me engrandeceu, diz ela, com um dom tão grande e tão inaudito, que é impossível explicá-lo com palavras humanas, e dificilmente o poderá compreender o sentimento mais íntimo do coração. Por isso entrego-me com todas as forças da minha alma ao louvor e à acção de graças. [...] «Porque fez em mim grandes coisas o Todo-Poderoso; e o Seu nome é Santo». [...] De facto, só aquele em quem o Senhor realiza obras grandiosas pode proclamar dignamente a Sua grandeza e exortar os que participam da mesma promessa e dos mesmos sentimentos: «Engrandecei comigo ao Senhor; exaltemos juntos o Seu nome» (Sl 34 [33],4). [...]

«Acolheu a Israel, Seu servo, lembrado da Sua misericórdia». Com admirável propriedade o cântico chama a Israel servo do Senhor, isto é, obediente e humilde, a quem o Senhor acolheu para o salvar, segundo as palavras do profeta Oseias: «Quando Israel era ainda criança, eu o amei» (11,1; cf. 11,4). Quem não quer humilhar-se não pode ser salvo [...] mas «quem se humilhar como uma criança será o maior no Reino dos Céus» (Mt 18,4).

«Como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». Refere-se o texto não à descendência carnal de Abraão, mas à espiritual, isto é, não somente aos nascidos da sua carne, mas aos que seguiam o exemplo da sua fé. [...] O advento do Salvador foi prometido a Abraão e à sua descendência para sempre, isto é, aos filhos da promessa, dos quais se diz: «Se sois de Cristo, também sois descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa» (Gl 3,29).

É de notar que foram as mães, a do Senhor e a de João, que se anteciparam a anunciar profeticamente o nascimento de seus filhos. [...] E se foi pela sedução de uma só mulher que se introduziu no mundo a morte, agora é pela profecia de duas mulheres que se anuncia ao mundo a salvação.

Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Santa Edith Stein, O Mistério do Natal- (Parte III) : O Corpo Místico de Cristo



 
3.1 - SER UM COM DEUS
Para onde o Menino-Deus nos conduzirá nesta
terra, isto não sabemos e não deveríamos perguntar
antes do tempo. Só sabemos que para aqueles que
amam o Senhor, todas as coisas servem para o bem. Os
caminhos pelos quais o Senhor nos conduz, levam-nos
para além desta terra.
Ó troca maravilhosa! O criador do gênero humano
encarnando-se, concede-nos a sua divindade. Por
causa desta obra maravilhosa o Redentor veio ao mundo.
Deus se tornou Filho do homem, para que os homens
se tornassem filhos de Deus. Um de nós rompeu
o laço da filiação divina, e um de nós devia reatar o
laço, pagando pelo pecado. Nenhum da antiga e enferma
raça podia fazê-lo. Devia ser um rebento novo, sadio
e nobre. Tornou-se um de nós e, mais do que isto:
unido conosco. O maravilhoso no gênero humano é
que todos somos um. Se fosse diferente, estaríamos
lado a lado, como indivíduos autônomos e separados, e
a queda de um não poderia ter se tornado a queda de
todos. Podia ter sido pago e atribuído a nós o preço da
expiação, mas não teria passado a sua justiça para os
pecadores, e não teria sido possível nenhuma justificação.
Mas Ele veio, para tornar-se conosco um corpo
místico. Ele, nossa cabeça, nós, os seus membros. Po-nhamos nossas mãos nas mãos do Menino-Deus, pronunciando
o nosso “Sim” ao seu “Siga-me”. Então, nos
tornamos Seus, e o caminho está livre, para que a sua
vida divina possa passar para a nossa.
Isto é o começo da vida eterna em nós. Não é
ainda a visão beatífica de Deus na luz da glória, é ainda
escuridão da fé, mas não é mais deste mundo, já é
estar no Reino de Deus. Quando a bem-aventurada
Virgem pronunciou o seu “Fiat”, aí começou o Reino
de Deus na terra e ela se tornou a sua primeira serva.
E todos, que antes e depois do nascimento da criança,
por palavras e obras, se declararam a seu favor: São
José, Santa Isabel com seu filho e todos os que estavam
ao redor do presépio, entraram no Reino de
Deus.
Tornou-se diferente do que se pensou, conforme
os salmos e profetas o reinado do divino rei. Os romanos
continuaram os dominadores da terra, os sumo sacerdotes
e os doutores da lei continuaram a subjugar o
povo pobre.
De forma invisível, cada um, que pertencia ao
Senhor, trazia o Reino de Deus em si. O seu fardo terreno
não lhe foi tirado, e sim outros fardos acrescentados;
mas, o que ele trazia dentro de si, era uma força
animadora, fazendo o fardo suave e a carga leve. Assim
acontece ainda hoje com os filhos de Deus. A vida divina,
acesa em sua alma, é a luz que veio nas trevas, o
milagre da noite santa. Quem traz esta luz dentro de
si, compreende quando se fala dela. Para os outros, porém,
tudo o que se pode dizer a respeito, é um balbuciar
incompreensível. Todo o evangelho de São João é
um canto à luz eterna, que é amor e vida. Deus está
em nós e nós nele, esta é a nossa parte no reino de
Deus, para a qual a Encarnação colocou o alicerce.


3.2 - SER UM EM DEUS
Ser um com Deus: este é o primeiro passo. Mas,
o segundo é a conseqüência do primeiro. Cristo sendo
a cabeça e nós membros do corpo místico, estamos
unidos elo a elo, todos somos um em Deus, uma única
vida divina. Se Deus é Amor e está em nós, então não
pode ser diferente o nosso amor para com os irmãos.
Por isto o amor humano é a medida do nosso amor a
Deus. Mas, é algo mais do que o simples amor humano.
O amor natural se dirige a um outro, ligado pelos
laços do sangue ou por afinidades de caráter ou por interesses
comuns. Os outros são “estranhos”, que “não
nos importam”, talvez até por seu jeito antipático, de
forma que mantemos a devida distância. Para o cristão
não existe “gente estranha”. Próximo é aquele que encontramos
em nosso caminho e que mais necessita de
nós; indiferentemente, se é parente ou não, se a gente
gosta dele ou não, se ele é “moralmente digno” da
nossa ajuda ou não. O amor de Cristo não tem limites,
ele nunca termina, ele não recua diante da feiura ou
sujeira. Ele veio por causa dos pecadores e não por
causa dos justos. E se o amor de Cristo mora em nós,
então, façamos como Ele, indo ao encontro das ovelhas
perdidas.
O amor natural visa a ter a pessoa amada para
si, possuindo-a de forma mais exclusiva. Cristo
veio, para devolver ao Pai a humanidade perdida;
e quem ama com seu amor, este quer os homens
para Deus e não para si. Este é, ao mesmo
tempo, o caminho mais seguro para possuí-las
para sempre; pois, se amamos uma pessoa em
Deus, então somos com ela um em Deus, enquanto que o vício da conquista muitas vezes -
mais cedo ou mais tarde - sempre resulta em
perda.
Há um princípio válido para todas as almas e
para os bens exteriores: quem, ambiciosamente,
se ocupa em ganhar e apropriar, perde; porém,
aquele que tudo oferece a Deus, ganha para
sempre.

 Fonte: Santa Edith Stein, O Místério do Natal, Editora da Universidade doSagrado Coração 

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